O Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha, patrimônio fundamental da memória da Baixada Fluminense, foi cenário nesta terça-feira (01) de um encontro que uniu ciência, educação e políticas públicas em torno da valorização do patrimônio cultural. A Prefeitura de Nova Iguaçu recebeu professores e estudantes da Universidade Pedagógica da Colômbia e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) para uma visita técnica que percorreu obras de revitalização, escavações arqueológicas e os primeiros passos para a instalação do Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu (MAE-NI).
A atividade contou com a participação de diversas secretarias municipais: Marcus Monteiro (Cultura), Érica Amoun (Educação), Marcelo Reis (Defesa e Proteção Animal), Cristina Venâncio (Turismo) e Chico Pinheiro (Governo), além do apoio da Secretaria de Segurança/Guarda Municipal, num esforço de integração entre áreas distintas da gestão pública.
Da Colômbia, estiveram presentes três professores e dois alunos da Universidade Pedagógica, especialistas em Política Pública de Turismo, interessados em observar experiências locais de preservação histórica articuladas ao turismo sustentável. Do Brasil, a comitiva foi composta por cinco professores e estudantes da UFRRJ, vinculados ao programa de mestrado e doutorado em Patrimônio e Geografia, liderados pela professora Isabela Fogaça, pesquisadora que coordena estudos sobre o potencial turístico de Iguassú Velha e do Tinguá.
Iguassú Velha em transformação
Durante a visita, os grupos puderam conhecer as obras em andamento no futuro Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu (MAE-NI), que nasce para abrigar um acervo já estimado em mais de 150 mil fragmentos arqueológicos recolhidos em escavações na região. O equipamento será pioneiro na Baixada Fluminense, consolidando-se como espaço de pesquisa científica, educação patrimonial e valorização da memória local.
O itinerário incluiu ainda a Estrada Real do Comércio, rota histórica que, no século XIX, conectava o interior fluminense e mineiro ao Rio de Janeiro, com circulação de mercadorias, pessoas e culturas. A via, tombada pelo IPHAN, preserva trechos originais de calçamento que agora são estudados para compor circuitos turísticos.
Na sequência, a comitiva acompanhou as escavações no antigo prédio da Câmara e Cadeia da Vila de Iguassú, conduzidas pelo superintendente de Pesquisas Arqueológicas, Diogo Borges. Os trabalhos têm revelado estruturas murárias, calçamentos coloniais e até vestígios associados ao abastecimento hídrico do século XIX, evidências que ajudam a reconstruir aspectos da vida cotidiana de um período crucial da história fluminense.
Identidade e futuro
O encontro reafirma a estratégia de Nova Iguaçu de articular patrimônio, turismo e educação como bases para o desenvolvimento regional. A cooperação internacional e o diálogo com universidades fortalecem projetos que vão além da preservação material, projetando Iguassú Velha como polo de referência em turismo cultural e como espaço de pertencimento da comunidade.
Para a gestão municipal, a revitalização não é apenas uma obra física, mas um projeto de futuro. “Temos em Tinguá um dos mais importantes sítios arqueológicos da história recente do país. Restaurá-lo e devolvê-lo à cidade é assegurar que a memória seja fundamento para o desenvolvimento”, já destacou o secretário de Cultura, Marcus Monteiro.
Com o avanço das obras do pórtico, a recuperação da antiga torre sineira da Igreja de Nossa Senhora da Piedade e a estruturação do circuito expositivo do MAE-NI, Nova Iguaçu se aproxima de inaugurar um espaço capaz de conectar passado, presente e futuro — transformando memória em motor de educação, cultura e cidadania.
Imagem de capa ilustrativa
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