O Palácio Tiradentes, no Centro do Rio, recebe no dia 1º de abril, a partir das 18h, a cerimônia de abertura do Abril Verde, mês dedicado ao combate ao racismo religioso e ao enfrentamento da intolerância religiosa. A programação inclui homenagens a lideranças e representantes dos povos de terreiro, que receberão o prêmio Mãe Beata de Yemanjá por sua atuação em defesa da liberdade religiosa e no combate à discriminação.
A iniciativa destaca a importância das religiões de matriz africana no debate público e reforça a necessidade de enfrentar práticas de preconceito ainda presentes na sociedade. Segundo o material de divulgação do evento, o Abril Verde foi instituído por lei ligada ao mandato da Renata Souza e tem como objetivo incentivar debates, ações e atividades voltadas ao respeito às tradições afro-brasileiras e à garantia de direitos.
Por que o Abril Verde importa
O Abril Verde se consolidou como um período de mobilização política, social e cultural em defesa da liberdade de crença e do respeito às religiões de matriz africana. A proposta é dar visibilidade às denúncias de racismo religioso, valorizar os terreiros como espaços de resistência e memória e ampliar a discussão sobre o direito ao culto e à identidade religiosa.
O tema ganha relevância em um cenário em que praticantes de umbanda, candomblé e outras tradições afro-brasileiras ainda relatam episódios de violência, discriminação, destruição de símbolos sagrados e ataques a espaços religiosos. Nesse contexto, eventos públicos de homenagem e reconhecimento ajudam a fortalecer a luta por respeito, reparação e garantia de direitos.
Homenagem a lideranças de terreiro
A cerimônia deste ano vai reconhecer pessoas que atuam diretamente no enfrentamento ao racismo religioso e na valorização do axé. Entre os homenageados divulgados estão Michel Ferreira Saraiva, conhecido como Carrapeta, Fábio Vasconcellos, Babalorixá Cristiano do Ogum, Babalorixá Luiz Kaya, Pai Gilson D’Ogum, Doté Geovane de Osóòsí Fálidágbé, Etemi Alexandre de Oxossi, Elias Garcia, Mãe Marcela Omo Ogum, Iyálorixá Luzia de Odé, Mãe Selma D’Oya, Mãe Sara Pinheiro, Ya Angeli de Oya e Babalorixá Kil do Ossosi.
A entrega do prêmio Mãe Beata de Yemanjá funciona como reconhecimento público da trajetória dessas lideranças e da contribuição que elas oferecem à preservação das tradições de matriz africana, à defesa da liberdade religiosa e ao acolhimento comunitário.
Combate ao racismo religioso
A abertura do Abril Verde também chama atenção para uma pauta que vai além da dimensão simbólica. O racismo religioso afeta diretamente comunidades de terreiro e se manifesta por meio de ataques, constrangimentos, discursos de ódio e tentativas de apagamento cultural. Ao promover uma cerimônia institucional no Palácio Tiradentes, o evento busca afirmar que a proteção às religiões afro-brasileiras deve ser tratada como tema de direitos humanos e de cidadania.
A proposta do mês é justamente estimular reflexão e ação. Isso inclui debates públicos, valorização da ancestralidade africana e reconhecimento do papel histórico dos povos de terreiro na formação cultural e espiritual do país.
Celebração e afirmação de identidade
Além da denúncia contra a intolerância, o evento se apresenta como um momento de celebração do axé, da memória e da resistência. A homenagem reúne nomes ligados à espiritualidade, à cultura e à defesa da liberdade religiosa, reforçando uma mensagem de respeito às diferentes formas de fé.
Ao ocupar um espaço institucional e histórico como o Palácio Tiradentes, a cerimônia também produz um gesto político: afirmar a presença e a legitimidade das religiões de matriz africana no centro do debate público.
Serviço
Abertura do Abril Verde
Data: 1º de abril
Horário: 18h
Local: Palácio Tiradentes
Endereço: Rua Primeiro de Março, s/n, Centro
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