No próximo sábado, 10 de maio, será realizado o ato “Pedal e Caminhada contra a Violência” na Praça da Harmonia, no bairro da Gamboa, Zona Portuária do Rio de Janeiro. A iniciativa é uma resposta direta ao episódio de violência policial sofrido por dois adolescentes negros, de 12 e 13 anos, enquanto pedalavam pelo Boulevard Olímpico, na região conhecida como Pequena África, no último dia 29 de abril.
O protesto, organizado por movimentos sociais, cicloativistas, entidades de direitos humanos, busca chamar atenção para o racismo institucional, a violência contra a juventude negra e a criminalização da infância nas áreas populares do Rio de Janeiro. A manifestação, pacífica e simbólica, reforça o direito à cidade e à mobilidade segura para todos, especialmente crianças e adolescentes.
O caso: abordagem violenta e constrangimento ilegal
De acordo com os relatos das famílias, os dois meninos estavam passeando de bicicleta quando foram abordados de forma truculenta por quatro policiais militares. Além da violência física e verbal, os agentes teriam tirado fotos dos adolescentes para o banco de imagens da polícia, prática considerada ilegal e discriminatória, sem qualquer mandado judicial ou justificativa formal. As vítimas também foram acusadas de roubo — inclusive das próprias bicicletas que utilizavam.
As mães denunciaram que os filhos ficaram profundamente abalados com a abordagem e passaram a ter medo de circular livremente. O caso foi registrado na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) e está sendo acompanhado pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Alerj (CDDHC-Alerj).
Ato como símbolo de resistência e mobilização
A concentração do “Pedal e Caminhada contra a Violência” começará pela manhã, com atividades de mobilização, faixas, rodas de conversa e a presença de ciclistas, educadores e militantes de direitos humanos. O trajeto seguirá pelas ruas da Gamboa até o Boulevard Olímpico, com paradas em pontos simbólicos da Pequena África, reforçando a importância histórica e cultural do território negro na cidade.
A atividade também pretende dialogar com a população sobre o direito ao lazer, à mobilidade urbana e ao tratamento digno por parte das forças de segurança pública.
Mais do que protestar por um caso específico, o ato deste sábado é uma convocação coletiva para que a cidade reflita sobre seus padrões de exclusão, racismo e violência. As bicicletas, neste contexto, tornam-se instrumentos de resistência e liberdade.
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