Plenária em Nova Iguaçu organiza ato pelos 21 anos da Chacina da Baixada

Chacina da Baixada

A Associação Fórum Grita Baixada, a Rede de Mães e Familiares da Baixada e a Rede de Educação Popular da Baixada Fluminense e a Rede de Educação Popular da Baixada Fluminense convocam organizações, entidades, coletivos, lideranças comunitárias e militantes para participar da plenária organizativa do ato em memória aos 21 anos da Chacina da Baixada.

A proposta do encontro é reunir movimentos sociais e organizações da sociedade civil comprometidos com a defesa dos direitos humanos para fortalecer a organização do ato público que acontecerá no fim do mês. A plenária deve servir como espaço de articulação política e definição de contribuições para a programação, reafirmando a importância de manter viva a memória das vítimas e de denunciar a permanência da violência de Estado nos territórios periféricos da Baixada Fluminense.

A Chacina da Baixada ocorreu na noite de 31 de março de 2005 e é considerada uma das maiores execuções em massa da história do estado do Rio de Janeiro. Na ocasião, policiais militares realizaram uma sequência de ataques nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, deixando 29 pessoas mortas e dezenas de famílias marcadas pela dor, pelo trauma e pela luta por justiça. O episódio se tornou um símbolo da brutalidade policial e da vulnerabilidade histórica da população pobre, negra e periférica diante da violência praticada por agentes do Estado.

Mais de duas décadas depois, a memória da chacina segue ocupando lugar central nas lutas populares da Baixada Fluminense. Para familiares das vítimas, organizações de direitos humanos e movimentos sociais da região, recordar a data não é apenas revisitar uma tragédia do passado, mas também denunciar a continuidade de práticas violentas, da impunidade e da ausência de reparação integral para as famílias atingidas. Nesse sentido, o ato e a plenária são também uma forma de afirmar que a memória é instrumento de resistência e que a luta por justiça permanece atual.

O ato em memória das vítimas está marcado para o dia 31 de março, a partir das 16h, e contará com caminhada, apresentações artísticas e exibição do documentário Nossos Mortos têm Voz. A programação busca combinar denúncia, homenagem e mobilização social, reunindo moradores da região, familiares, ativistas e coletivos em um momento público de reivindicação por direitos, justiça e preservação da memória.

Segundo os organizadores, a mobilização pretende manter viva a história das vítimas da Chacina da Baixada, denunciar a violência de Estado e reafirmar a necessidade de responsabilização, reparação e garantia do direito à vida nas periferias. Além disso, a iniciativa busca fortalecer a mobilização social contra a violência policial e a impunidade, temas que seguem presentes de forma estruturante nas lutas dos movimentos da Baixada Fluminense.

Lembrar a Chacina da Baixada é enfrentar o esquecimento e reafirmar a necessidade de justiça. Mais de duas décadas depois, seguimos denunciando a violência de Estado e cobrando reparação para as famílias, porque a memória das vítimas precisa permanecer viva como compromisso coletivo com os direitos humanos e com o direito à vida na Baixada Fluminense”, afirma Adriano Dias.

Os movimentos que organizam a atividade destacam que a convocação é aberta à sociedade civil, especialmente a organizações populares, coletivos culturais, entidades de direitos humanos, lideranças comunitárias, juventudes e moradores da região que desejem contribuir com a construção do ato. Para os organizadores, a Chacina da Baixada permanece como um marco histórico e político da luta por memória, justiça e reparação, além de evidenciar a urgência do enfrentamento à violência policial que segue atingindo, de forma desproporcional, os territórios periféricos.

A atividade será realizada no dia 20 de março, às 18h, no SEPE Núcleo Nova Iguaçu, no centro do município, e integra o processo de construção coletiva da mobilização que marcará mais um ano de lembrança, denúncia e reivindicação por justiça.

Há duas décadas, a ComCausa acompanha a luta por memória, verdade e justiça em relação à Chacina da Baixada, reafirmando seu compromisso com os familiares das vítimas e com a denúncia permanente da violência de Estado. Para a organização, manter esse caso vivo na memória coletiva é uma forma de enfrentar o apagamento, cobrar responsabilização e impedir que crimes como esse sejam naturalizados ou esquecidos. Passados 20 anos, a Chacina da Baixada segue como uma ferida aberta na história da região e um símbolo da urgência de justiça, reparação e garantia do direito à vida.

Serviço

Plenária Organizativa – Ato pelos 21 anos da Chacina da Baixada
Data: 20 de março
Horário: 18h
Local: SEPE Núcleo Nova Iguaçu
Endereço: Rua Otávio Tarquino, 176 – Centro, Nova Iguaçu (RJ)

Ato em memória aos 21 anos da Chacina da Baixada
Data: 31 de março
Horário: a partir das 16h
Programação: caminhada, apresentações artísticas e exibição do documentário Nossos Mortos têm Voz.

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