Formatura da Capelania do Povo do Axé reunirá lideranças religiosas, sociais e comunitárias em Duque de Caxias

Teatro Raul Cortez

O Templo Catobandista das Rainhas realizará, no dia 5 de agosto de 2026, às 19h, no Teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias, a cerimônia de formatura dos novos capelães e capelãs do curso Capelania do Povo do Axé. Idealizado por Mãe Inara de Iansã, o encontro também contará com uma solenidade de homenagem a lideranças religiosas, profissionais, educadores, comunicadores, agentes culturais, ativistas sociais e representantes da sociedade civil que desenvolvem trabalhos permanentes em benefício das comunidades.

A programação reunirá representantes das religiões de matriz africana, lideranças cristãs, integrantes de instituições sociais, familiares dos formandos e convidados. A proposta é celebrar a conclusão da formação, fortalecer a presença do Povo do Axé nos espaços de capelania e reconhecer pessoas cujas trajetórias são marcadas pelo acolhimento, pela solidariedade, pela promoção da igualdade racial, pela defesa da liberdade religiosa e pelo compromisso com a dignidade humana.

Uma formação criada para reconhecer uma missão ancestral

O curso Capelania do Povo do Axé foi criado por Mãe Inara de Iansã em parceria com o pastor Marcos e conta com o respaldo educacional da Escola Técnica Oceantec. A iniciativa nasceu da necessidade de oferecer formação, diploma e credencial a pessoas que já desenvolvem, há muitos anos, atividades de orientação espiritual, escuta, proteção comunitária, solidariedade e apoio às famílias em situações de sofrimento ou vulnerabilidade.

Para Mãe Inara de Iansã, a formação não representa o início do trabalho de cuidado realizado pelas comunidades de matriz africana, mas o reconhecimento institucional de uma missão desenvolvida há gerações nos terreiros, templos e territórios tradicionais. Segundo a liderança religiosa, o Povo do Axé sempre exerceu o acolhimento por meio da escuta, da orientação, da ancestralidade, da proteção comunitária e da presença junto às pessoas que enfrentam dificuldades.

“Nós já fazíamos esse trabalho durante toda a vida. O que não tínhamos era o diploma e a credencial. Essa formação reconhece aquilo que os nossos ancestrais e as nossas comunidades sempre fizeram: acolher, orientar, cuidar e estar ao lado de quem precisa”, afirma Mãe Inara.

Com a conclusão do curso, os novos capelães e capelãs estarão mais preparados para atuar em comunidades, hospitais, instituições sociais, unidades de acolhimento e outros espaços nos quais as pessoas necessitem de apoio espiritual, escuta qualificada, orientação e presença solidária. A formação também contribui para garantir que pessoas pertencentes às religiões de matriz africana possam receber atendimento religioso de acordo com sua fé, seus valores, seus fundamentos e sua ancestralidade.

Diálogo inter-religioso com protagonismo do Povo do Axé

A solenidade terá caráter laico, ecumênico e inter-religioso, reunindo representantes de diferentes tradições religiosas. A proposta é demonstrar que a convivência entre diferentes expressões de fé pode ser construída com respeito, reconhecimento mútuo e defesa da dignidade humana, sem que as comunidades de matriz africana precisem esconder sua identidade ou abrir mão de seus fundamentos.

Mãe Inara destaca, entretanto, que o caráter inter-religioso da cerimônia não retira o protagonismo do Povo do Axé. Toda a preparação, mobilização e organização do evento são conduzidas pelo Templo Catobandista das Rainhas, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Duque de Caxias, responsável pela cessão do Teatro Raul Cortez.

“É importante deixar claro que quem está promovendo somos nós, de matriz africana. A força, a mobilização e todo o trabalho estão sendo feitos pelo Templo Catobandista das Rainhas. A Secretaria de Cultura nos apoiou cedendo o teatro, e somos gratos por isso, mas a realização parte da nossa casa”, ressalta.

A presença de representantes católicos, evangélicos, umbandistas, candomblecistas e de outras tradições reforça a importância da construção de pontes entre comunidades religiosas. O encontro pretende demonstrar que o diálogo inter-religioso pode ocorrer sem o apagamento das identidades, das tradições, dos fundamentos e da ancestralidade de cada grupo.

Homenagens reconhecerão trajetórias de fé, cuidado e transformação social

Após a formatura e a entrega das credenciais aos novos capelães e capelãs, será realizada uma solenidade de homenagem a pessoas de diferentes religiões, profissões e áreas de atuação. Os homenageados possuem em comum o compromisso com o cuidado, a solidariedade, a defesa de direitos, a educação, a cultura, a segurança alimentar, a promoção da igualdade racial e o atendimento às populações em situação de vulnerabilidade.

Serão homenageados Adilson Ferreira; Adriano Dias; Andrea da Marchinha; Ariel Blanco; Danielle Costa; Diaconisa Graça Soares; Diácono Adilson; Bàbálórìṣà Diego Campeão Romero; Doté Ivo Pontual; Ekedji Elisangela de Yemanjá; Frei Róger Brunorio; Frei Athaylton Jorge Monteiro Belo, conhecido como Frei Tatá; Mãe Bia, Ana Beatriz T’Osun; Dra. Iyá Lúcia de Oxum; João Gabriel Pereira; Lili Morais; Mãe Adriana Ty Oyá; Mãe Bianca Morelli; Mãe Joelma de Ogum; Mãe Mamet’u Jaminakongo; Mãe Zilmar; Padre Ronaldo de Souza Caetano; Pai Felipe D’Oxóssi; Pai Márcio D’Oxóssi; Pai Nando; Patrícia Moura, conhecida como Paty Moura; professor Paulo Roberto; professora Deise Guilhermina; professor e pastor Mauricio Valente; e professor Marcos Carvalho, da Escola Técnica Oceantec.

A escolha dos homenageados busca valorizar trajetórias concretas e permanentes, construídas em diferentes territórios e áreas da sociedade. São pessoas que, por meio de suas atividades religiosas, profissionais, educacionais, culturais, sociais e comunitárias, contribuem para acolher, orientar, proteger e transformar realidades.

Lideranças religiosas e comunitárias

Entre as pessoas homenageadas está Adilson Ferreira, servidor do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, que dedica há quase três décadas sua trajetória ao atendimento, à proteção e ao cuidado da população fluminense.

Adriano Dias, jornalista, comunicador popular e fundador da ComCausa – Defesa da Vida, também será reconhecido. Há mais de 40 anos, ele atua na promoção dos direitos humanos, da igualdade racial, da cidadania e no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa, com destaque para a defesa das comunidades tradicionais de matriz africana.

Andrea da Marchinha será homenageada por sua atuação como missionária, escritora, conselheira de Igualdade Racial e ativista social. Sua trajetória é marcada pela defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, pela promoção da igualdade racial e pelo desenvolvimento de projetos voltados à justiça social e ao fortalecimento das famílias.

Ariel Blanco, profissional da Defesa Civil com 25 anos de experiência, receberá a homenagem por sua contribuição nas áreas de gestão de riscos, prevenção de desastres, segurança, primeiros socorros e proteção comunitária.

Danielle Costa será reconhecida por sua atuação como especialista em Design de Moda, Branding e Estratégia de Marcas, docente, palestrante, diretora do Coletivo Despertar e representante do Fashion Revolution Brasil, desenvolvendo iniciativas de moda sustentável, consumo consciente e transformação social.

A Diaconisa Graça Soares, integrante da Assembleia de Deus Semeando Vida, será homenageada por sua atuação nos Ministérios de Intercessão e Célula, pelo trabalho de evangelismo e pelo acolhimento de enfermos e pessoas em processo de recuperação.

O Diácono Adilson, da Igreja Católica, será reconhecido por sua dedicação à Paróquia Nossa Senhora de Fátima, ao Espaço Caritativo, à educação e ao serviço comunitário desenvolvido ao longo de mais de quatro décadas.

Reconhecimento às lideranças do Povo do Axé

O Bàbálórìṣà Diego Campeão Romero também integra a relação de homenageados. Sacerdote de Candomblé, educador físico, gestor escolar e advogado, ele participa ativamente do projeto Sopão de Dona Mulambo das Almas, levando assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade e unindo sua atuação profissional ao compromisso com a fé e a ancestralidade.

Doté Ivo Pontual será reconhecido por sua contribuição como idealizador do Legado Cultural Africano, projeto de comunicação e ação cultural dedicado à valorização, preservação e divulgação da cultura afro-brasileira.

A Ekedji Elisangela de Yemanjá, diretora vitalícia do Legado Cultural Africano, será homenageada por sua caminhada de preservação das tradições de matriz africana e valorização da ancestralidade.

Frei Róger Brunorio, frade franciscano e museólogo, receberá a homenagem por sua atuação no diálogo inter-religioso e na promoção do respeito às religiões de matriz africana.

Frei Athaylton Jorge Monteiro Belo, conhecido como Frei Tatá, será reconhecido por sua trajetória na promoção da igualdade racial, pela participação na fundação da EDUCAFRO, pelo trabalho desenvolvido junto à Pastoral Afro e por sua atuação na gestão pública de políticas de promoção da igualdade racial.

Mãe Bia, Ana Beatriz T’Osun, será homenageada por sua trajetória como sacerdotisa de Umbanda e Candomblé e por sua participação nas Comissões de Igualdade Racial e de Direito Religioso da OAB Duque de Caxias.

A Dra. Iyá Lúcia de Oxum, coordenadora da RENAFRO Baixada, fundadora do Grupo de Mulheres Yepondá, capelã, juíza de paz e defensora dos direitos humanos, será reconhecida por seu trabalho de enfrentamento ao racismo, fortalecimento das mulheres e promoção da igualdade.

João Gabriel Pereira será homenageado por sua atuação como sacerdote de Umbanda, escritor, servidor público e defensor da liberdade religiosa e dos direitos humanos.

Mãe Adriana Ty Oyá será reconhecida por sua trajetória como educadora, escritora, poetisa e Ìyalorixá, desenvolvendo iniciativas de educação antirracista, valorização da cultura afro-brasileira e preservação das tradições religiosas.

Mãe Bianca Morelli receberá a homenagem por seu trabalho como sacerdotisa, terapeuta holística, oraculista e responsável por projetos sociais e culturais que unem espiritualidade, acolhimento e desenvolvimento humano.

Mãe Joelma de Ogum, presidente da Cozinha Ancestral Cavaleiros de Ogum, será homenageada pelo trabalho permanente de combate à fome e acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Mãe Mamet’u Jaminakongo, idealizadora do Instituto Muhatu, será reconhecida pelas ações voltadas ao fortalecimento de mulheres, especialmente mães solo e chefes de família, além das iniciativas de segurança alimentar e apoio comunitário.

Mãe Zilmar será homenageada por sua trajetória como zeladora de Umbanda na Casa de Caridade Pai Benedito D’Angola, presidente da Associação dos Amigos do Museu Marinheiro João Cândido e conselheira de Igualdade Racial em São João de Meriti. Sua atuação envolve a defesa da liberdade religiosa, da justiça social e o desenvolvimento de projetos educacionais, alimentares e culturais destinados às populações em situação de vulnerabilidade.

Pai Felipe D’Oxóssi, dirigente do Centro de Umbanda Luz Divina e organizador da Frente de Povo de Rua, será reconhecido pelas ações semanais de preparação e distribuição de refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Pai Márcio D’Oxóssi, sacerdote e dirigente do Abassá Odê Mutala, receberá a homenagem pelos projetos de segurança alimentar, enfrentamento à violência doméstica e apoio às famílias. Seu trabalho fortalece o papel dos terreiros como espaços de acolhimento, proteção e cidadania.

Pai Nando também será homenageado por sua trajetória religiosa, sua atuação comunitária e sua contribuição para o fortalecimento das tradições e das comunidades.

Educação, cultura, direitos humanos e solidariedade

Lili Morais receberá o reconhecimento por sua atuação como ativista social, defensora dos direitos humanos e integrante de conselhos voltados à defesa dos direitos das mulheres e à promoção da igualdade racial.

O Padre Ronaldo de Souza Caetano, vigário paroquial da Catedral de Santo Antônio e coordenador da Ação Social da Paróquia Santo Antônio, será homenageado por suas ações de assistência, solidariedade e acolhimento.

Patrícia Moura, conhecida como Paty Moura, será reconhecida por sua atuação como bacharel em Direito, agente cultural e presidente do Instituto Patyli Arte e Cultura. Seus projetos envolvem cultura, educação, inclusão social, cidadania e direitos humanos, com atenção especial às crianças, aos adolescentes, aos grupos minoritários e à população LGBTQIAPN+.

O professor Paulo Roberto será homenageado por sua trajetória de mais de 25 anos na educação, desenvolvendo trabalhos relacionados aos direitos humanos, à inclusão social e à formação acadêmica.

A professora Deise Guilhermina, doutora e mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, será reconhecida por sua atuação como historiadora e pesquisadora das relações étnico-raciais, da história da população negra e da preservação da memória cultural.

O professor e pastor Mauricio Valente receberá a homenagem por sua contribuição à educação, à orientação espiritual e ao desenvolvimento de ações comunitárias.

O professor Marcos Carvalho, representante da Escola Técnica Oceantec, será reconhecido por sua participação na estruturação do curso Capelania do Povo do Axé, no respaldo educacional da formação e na certificação dos novos capelães e capelãs.

Combate ao racismo e à intolerância religiosa

Além de celebrar a formação e as trajetórias dos homenageados, o encontro pretende chamar a atenção para o racismo religioso e para as diferentes formas de violência enfrentadas pelas comunidades de matriz africana. Terreiros, templos, sacerdotes, sacerdotisas e praticantes dessas religiões ainda convivem com ataques, discriminação, destruição de símbolos sagrados, discursos de ódio e dificuldades para ocupar espaços institucionais em condições de igualdade.

Ao promover uma cerimônia aberta a representantes de diferentes tradições religiosas, sem esconder sua identidade de matriz africana, o Templo Catobandista das Rainhas reafirma que o diálogo inter-religioso não exige o apagamento das diferenças. A construção de uma sociedade democrática pressupõe respeito, liberdade de crença, autonomia religiosa, reconhecimento da diversidade e garantia de direitos.

A formação dos novos capelães e capelãs também amplia as possibilidades de presença institucional do Povo do Axé, contribuindo para que pessoas vinculadas às religiões de matriz africana possam receber assistência espiritual adequada e respeitosa em hospitais, unidades de acolhimento, instituições sociais e outros espaços.

Uma noite de ancestralidade, formação e reconhecimento

A programação será dividida entre a formatura dos novos capelães e capelãs, com a entrega dos diplomas e das credenciais, e a solenidade de homenagem às lideranças reconhecidas por suas contribuições sociais, religiosas, educacionais, culturais, profissionais e comunitárias.

Com a mensagem “Leve acolhimento, fé e esperança a quem mais precisa”, o evento pretende reunir ancestralidade, formação, diversidade religiosa, solidariedade e compromisso social.

Mais do que uma cerimônia de conclusão de curso, a formatura representa o fortalecimento de uma missão ancestral de cuidado, agora acompanhada de formação técnica, reconhecimento institucional e novas possibilidades de atuação.

Serviço

Evento: Formatura dos novos capelães e capelãs do Povo do Axé e solenidade de homenagem
Data: 5 de agosto de 2026
Horário: 19h
Local: Teatro Raul Cortez
Endereço: Praça da Emancipação, s/nº, Vila Meriti, Duque de Caxias
Realização: Templo Catobandista das Rainhas e Capelania do Povo do Axé
Idealização: Mãe Inara de Iansã

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