PM preso por estupro de enteada no Rio

Violência - Criança - Mulher

Prints de conversas atribuídas a um 1º sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, preso por estupro de vulnerável contra a própria enteada, expõem a violência psicológica e a tentativa de normalização dos abusos sofridos pela adolescente durante sete anos. As mensagens, anexadas ao processo, incluem frases como “Queria que entendesse como é ser mulher de verdade” e “Eu te criei para o mundo, por isso te preparei”.

O homem, de 49 anos – cuja identidade é preservada para não identificar a vítima –, foi detido na semana passada em Realengo, na Zona Oeste do Rio, por agentes da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) e da 33ª DP (Realengo). Ele está custodiado na Unidade Prisional da Corporação, em Niterói, na Região Metropolitana.

A investigação teve início em dezembro de 2025, quando a adolescente, hoje com 15 anos, revelou à mãe que sofria abusos sexuais desde os 8 anos de idade. Segundo o depoimento da vítima, ouvido pela polícia e avaliado por equipe psicológica do Ministério Público, os atos ocorriam em momentos em que o padrasto estava armado ou com a arma ao alcance, frequentemente sobre uma mesa ou cama, o que reforçava o temor e a coação.

Nas mensagens reproduzidas no inquérito, o sargento se refere à enteada como “gostosa do pai” e afirma: “Eu te criei desde os 3 anos. Você não quer ficar sem sua mãe e seu irmão, lembra?”. Em outro trecho, ele pressiona a adolescente a apagar as conversas e nega a gravidade dos atos: “Apaga essa mensagem e para de falar dos meus carinhos, eu só queria que você entendesse como é ser mulher de verdade. Eu te criei pro mundo, por isso te preparei, para você não cair nas mãos de homem canalha”.

O acusado ainda alega ter “permissão de Deus” para os abusos e insiste que a vítima “entendeu tudo errado”, culpando-a pela desestruturação familiar. “Nós somos uma família e por causa de você tudo está se acabando”, diz em uma das trocas.

A ex-esposa, que se separou após tomar conhecimento dos fatos, também foi alvo de ameaças de morte enviadas pelo mesmo número de telefone. Nas mensagens, o homem escreve: “Não vai sobrar nada de você, tudo vai se resolver de forma rápida. Eu vou ter o prazer de criar meu filho e fazer sua caveira pra ele não sentir sua falta nem visitar seu túmulo”. Em outra parte, ele afirma conhecer “muita gente” no Rio e ameaça: “O Rio é bem perigoso, desgraçada”.

A Justiça concedeu medidas protetivas à adolescente e à mãe. O depoimento da vítima foi considerado consistente pela perícia psicológica, que antecedeu o pedido de prisão preventiva.

Casos como esse reforçam a importância de denunciar abusos sexuais contra crianças e adolescentes, que frequentemente ocorrem no ambiente familiar e são marcados por longos períodos de silenciamento por medo e manipulação. No Brasil, o estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal) prevê pena de 8 a 15 anos de reclusão quando a vítima tem menos de 14 anos, mas a pena pode ser agravada em casos de violência continuada, coação e abuso de autoridade.

A Polícia Militar informou que o sargento foi afastado imediatamente após a prisão e que o caso segue sob investigação na esfera militar e civil. O Ministério Público acompanha o processo.

Denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, pelo site da Polícia Civil ou diretamente em delegacias especializadas, como a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Imagem de capa ilustrativa

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