A cidade do Rio de Janeiro vai ganhar um novo instrumento de enfrentamento à violência contra animais. Diante do aumento alarmante de casos de cães e gatos baleados em confrontos armados ou vítimas diretas da brutalidade urbana, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (SMPDA) anunciou que passará a comunicar formalmente à polícia todos os casos registrados nas unidades veterinárias da rede pública.
A decisão vem após uma série de episódios ocorridos na Zona Norte da cidade, onde, em menos de 24 horas nesta semana, dois cachorros foram baleados e levados às pressas para o Hospital Veterinário Jorge Vaitsman, na Mangueira. Os casos se somam a seis registros de animais feridos por armas de fogo apenas neste mês, segundo a pasta.
“A situação está fora de controle. Nossos veterinários parecem médicos de guerra, salvando vidas inocentes em meio a uma violência sem limites. Há animais sendo jurados de morte, baleados propositalmente ou atingidos por balas perdidas. Vamos notificar a polícia em todos os casos”, afirmou o secretário Luiz Ramos Filho, responsável pela SMPDA.
Vítimas da violência armada
Os dois casos mais recentes revelam o cenário preocupante que envolve os animais domésticos em áreas de conflito urbano. Na quarta-feira (24), Nina, uma cadela que estava na porta de casa, no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, foi baleada durante um confronto entre policiais e traficantes. O projétil entrou pelo tórax e saiu pela pata dianteira. Nina passou por cirurgia e está em recuperação.
No dia seguinte, a SMPDA resgatou outro cão, dentro da comunidade Para-Pedro, em Irajá. Segundo relatos de moradores, o animal teria sido jurado de morte por criminosos após morder uma pessoa. O cachorro foi apelidado de Irajá e também passou por cirurgia no mesmo hospital. Ele teve a pata dianteira quebrada e perdeu um dos dedos.
“Esse cachorro não pode voltar para a comunidade. Está sob ameaça e será acolhido em um abrigo da prefeitura até que seja adotado. Ele é mais uma vítima da intolerância e da barbárie”, lamentou Ramos Filho.
Violência que não aparece nas estatísticas
O secretário alerta ainda que muitos casos sequer chegam ao conhecimento das autoridades. Em várias situações, os animais são mortos e os corpos desaparecem, impedindo o resgate ou registro oficial. Um dos episódios mais chocantes ocorreu na Zona Oeste, onde uma cadela grávida foi baleada após seu tutor ser expulso da favela por traficantes. A cadela foi operada, mas os filhotes não sobreviveram.
“Estamos vendo um padrão de violência que atinge os animais como extensão da brutalidade urbana. Eles se tornam alvos apenas por latir ou avançar. Isso não pode continuar impune”, destaca o secretário.
Programa Entrega Pet e campanha de adoção
A Prefeitura também reforça a importância da adoção responsável. Todos os animais tratados na rede pública e acolhidos em abrigos municipais estão disponíveis para adoção através do programa Entrega Pet, que leva o animal até a nova casa, já vacinado, castrado e microchipado.
Interessados devem entrar em contato com a Secretaria através do Instagram oficial @smpdarj. Uma entrevista prévia será marcada para orientar sobre os cuidados com o animal.
“Além de punir os agressores, queremos garantir que esses animais encontrem lares seguros. Não basta salvar, é preciso reconstruir vidas”, conclui Luiz Ramos Filho.
Uma cidade que precisa olhar também pelos seus animais
A criação do protocolo de notificação é um passo importante para que a violência contra os animais seja tratada como questão de segurança pública. O poder público reconhece que não é apenas uma pauta de proteção animal, mas uma expressão da degradação social e da ausência do Estado em territórios conflagrados.
Leia também
Expo Favela Innovation 2025 promete transformar oportunidades em negócios no Rio de Janeiro
| Projeto Comunicando ComCausa
| Portal C3 | Instagram C3 Oficial
______________________
Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com

______________________
Compartilhe:
