Sirlei Dias EMPREGADA Espancada

Cinco moradores de condomínios de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, são acusados de espancar e roubar um celular e R$ 47 de uma empregada doméstica na madrugada de sábado (23), em um ponto de ônibus na Avenida Lúcio Costa. As informações são da própria vítima, Sirlei Dias Carvalho Pinto, de 32 anos, que reconheceu por meio de fotos quatro suspeitos do crime. O outro seria o dono do carro que transportava os jovens.

Na 16ª DP (Barra da Tijuca), onde a queixa foi registrada, o inspetor de plantão, que preferiu não se identificar, confirmou o caso e informou que três suspeitos já estão presos. Um deles teria confessado o crime e ajudado a polícia a identificar o restante do grupo. Outros dois jovens estão foragidos. De acordo com o inspetor, os cinco suspeitos são de classe média alta e moram em condomínios luxuosos na Barra.

Vítima relata a agressão

Segundo Sirlei, os jovens chegaram em um Gol preto, placa LOZ 6926. “Eles pararam em frente ao ponto de ônibus. Quatro saltaram, puxaram minha bolsa e começaram a me agredir”, explicou a vítima. Em seguida, eles fugiram. “Eles foram embora rindo e dando gargalhadas.”

Sirlei conta que tinha médico marcado, por isso saiu da casa onde trabalha tão cedo para pegar um ônibus.

“Eu estava olhando na direção que os ônibus vêm quando eles chegaram me xingando. Depois de pegar a minha bolsa, eles começaram a me bater. Levei muitos pontapés e chutes no rosto. Coloquei o braço na frente, para me proteger e eles passaram a me dar socos e cotevaladas na cabeça”, relembra a vítima.

Sirlei conta que mais duas senhoras estavam no ponto ônibus. Elas também teriam sido agredidas, mas, segundo a doméstica, não tiveram as bolsas roubadas.

Muito machucada, Sirlei voltou para o prédio onde trabalha e contou ao chefe o que tinha acontecido. Uma testemunha, um motorista de táxi que passava pelo local e viu a ação dos jovens, anotou a placa do carro dos agresssores e informou o número aos seguranças do prédio da vítima.

“Fui à delegacia prestar queixa”, diz Sirlei. Em seguida, ela foi levada para o Hospital Lourenço Jorge, também na Barra da Tijuca, onde recebeu atendimento médico.

“Meu braço, olho esquerdo e rosto estão roxos. Estão fazendo compressas. Mas o pior é a dor de cabeça, que não passa nem com remédios. Isso foi por causa dos chutes que levei”, relatou a empregada.

Suspeitos já foram identificados

Com o número da placa, a polícia conseguiu localizar o dono do carro. Felipe Macedo Nery Neto, de 20 anos e estudante de direito, foi o primeiro a ser preso. Segundo a polícia, ele confessou o crime e delatou o restante do grupo. Mais dois suspeitos também foram presos: Leonardo de Andrade, de 20 anos, e Júlio Junqueira, de 21. Eles serão levados para a Polinter.

Já Rodrigo Bassalo, 20 anos, e Rubens Arruda, de 19, que, segundo a polícia, também participaram do crime, não foram encontrados em suas residências. Eles já estão com a prisão decretada e estão sendo procurados.

O inspetor de plantão informou que Felipe teria dito que cometeu a agressão porque a mulher seria uma prostituta. “Ele disse que eles queriam botar ela para ralar”. O inspetor acredita que os jovens estivessem drogados na hora do crime. Segundo o inspetor, os suspeitos devem responder por roubo, lesão corporal dolosa e formação de quadrilha.

Triste, Sirlei espera que seja feita justiça. “Quero que eles paguem pelo que fizeram. São filhinhos de papai, não precisavam fazer isso. Se não tivessem sido presos, poderiam fazer isso com outra pessoa. Estou pensando em processá-los por danos morais e agressão”, informou.

‘Foi feita justiça’, diz doméstica agredida na Barra sobre sentença Ela foi espancada e roubada em 2007. Cada um dos cinco agressores pagará R$ 100 mil à mulher.

“Para mim é uma alegria muito grande, porque eu sei que foi feita justiça realmente”, afirmou nesta segunda-feira (16) a empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho, agredida e roubada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, em 2007. Sirlei se refere à decisão da Justiça que condenou os cinco jovens acusados da agressão a pagarem, cada um, R$ 100 mil à vítima. Por se tratar de uma decisão de primeira instância, os cinco acusados podem recorrer da sentença.

Perguntada se estava feliz com a decisão da Justiça, Sirlei afirmou: “Pelo fato do valor do dinheiro, não, porque não era minha intenção. Não era para as pessoas falarem ‘ela está feliz por causa do valor’. Vai me ajudar para o ensino, educação do meu filho. Mas pela Justiça, sim. Hoje no Brasil a gente vê a que Justiça não foi feita para poucos, mas para todos”, afirmou a empregada, em entrevista ao RJTV.

Sentença condena a pagamento de salários

Para a juíza Flávia de Almeida Viveiros de Castro, titular da 6ª Vara Cível da Barra, “o único meio que o Judiciário tem de repudiar o menosprezo demonstrado pelos agressores de Sirlei, é sancionar a conduta que eles tiveram, aplicando uma condenação de caráter sócio-educativo para que os jovens percebam os valores da pluralidade, solidariedade e igualdade”.

“Direito à dignidade representa direito ao respeito. Infelizmente, nesta ‘tragédia’ vivida por Sirlei, não houve consideração com sua pessoa, os agressores sequer a perceberam como tal, não a tinham como pertencendo ao mesmo grupo social”, destacou a juíza.

Além da indenização por dano moral, os jovens terão que pagar a Sirlei o valor de R$ 1.722,47 por dano material, com correção monetária e juros legais. Além desse valor, foram condenados a pagar um valor correspondente ao salário de empregada doméstica que deixou de receber desde a data dos fatos até aquela em que ficar comprovado, através de perícia médica, que a Sirlei recuperou a plena capacidade para o desempenho das atividades de sua profissão.

Prisão

Em 2008, os cinco jovens já haviam sido condenados por roubarem e agredirem a doméstica. Dois deles pegaram seis anos de reclusão em regime inicial semi-aberto enquanto outro foi condenado a seis anos e oito meses de reclusão em regime inicial semi-aberto.

Um dos garotos, que tinha antecedente criminal (roubo com emprego de arma de fogo), foi condenado a sete anos e quatro meses de reclusão em regime inicial fechado. O quinto acusado, que também respondia a outro processo, foi condenado a seis anos e oito meses de reclusão em regime inicialmente fechado.

Relembre o caso

Cinco moradores de condomínios de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, foram acusados de espancar e roubar um celular e R$ 47 de uma empregada doméstica em um ponto de ônibus na Avenida Lúcio Costa, em junho de 2007.

Na ocasião, Sirlei Dias Carvalho Pinto, de 32 anos, que reconheceu por meio de fotos quatro suspeitos do crime. O outro seria o dono do carro que transportava os jovens.

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Adriano Dias

Jornalista militante e fundador da #ComCausa