Mais um caso de intolerância religiosa foi registrado na Baixada Fluminense. Entre a noite de domingo (17) e a madrugada de segunda-feira (18), o terreiro Ilé Obá Ojú Iná – Axé Omi Ejá, localizado no bairro Agostinho Porto, em São João de Meriti (RJ), foi invadido e depredado por criminosos. A casa é dirigida pelo sacerdote Pai Ricardo d’Xangô.
Segundo o relato do zelador da casa, os invasores quebraram o telhado do assentamento de Exu, símbolo de abertura e proteção no candomblé, e ainda puxaram e jogaram ao chão o assentamento de Ogum, quebrando completamente a vasilha de barro sagrada. Além dos danos espirituais e simbólicos, foi relatado o furto de um conversor de TV, até o momento o único item material identificado como desaparecido.
O ataque, claramente motivado por ódio religioso, acende o alerta sobre a vulnerabilidade das casas de matriz africana no estado do Rio de Janeiro. “É lamentável a falta de segurança e de atenção com nossas casas, que diariamente vivem à mercê de promessas e falácias de políticos que nada fazem por nós”, declarou o zelador do terreiro, que prefere não se identificar por medo de retaliações.
A escalada da intolerância
Casos como esse não são isolados. A intolerância religiosa contra religiões de matriz africana tem crescido em diversas regiões do país, especialmente em territórios periféricos, onde a atuação do Estado é mais frágil. A destruição de símbolos sagrados não é apenas um ato de vandalismo: é um atentado à fé, à cultura e à dignidade dos povos tradicionais de terreiro.
A ComCausa e outras organizações de defesa da vida e dos direitos humanos vêm denunciando sistematicamente a omissão do poder público diante da escalada da violência religiosa. Além do impacto material, os ataques causam traumas emocionais e espirituais profundos, afetando a vida de comunidades inteiras.
Urgência de proteção e políticas públicas
Líderes religiosos, ativistas e defensores da liberdade religiosa cobram ações concretas do poder público para garantir a integridade física, cultural e espiritual dos povos de axé. Isso inclui investigações rigorosas, punição dos agressores e a criação de políticas públicas de proteção às casas de religião afro-brasileira, especialmente nas favelas e periferias.
O caso do terreiro Ilé Obá Ojú Iná precisa ser tratado com a seriedade que o momento exige. Não se trata apenas de um ataque a um espaço físico, mas de uma violência simbólica e institucionalizada que compromete os princípios da convivência democrática e da liberdade de crença garantidos pela Constituição.
Denúncias e solidariedade
É fundamental que casos como esse sejam denunciados às autoridades competentes, como o Ministério Público, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI) e a Secretaria de Direitos Humanos. A solidariedade entre casas de axé, movimentos sociais e sociedade civil também é essencial para fortalecer a resistência e garantir o respeito à diversidade religiosa.
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