Uma atualização de Gaza para aqueles que ainda se importam

Crianças em Gaza

Eu escrevo esta atualização do coração de Gaza,
pra quem ainda carrega um pingo de humanidade…
pra quem se pergunta: como a gente está vivendo?
A verdade é que a gente está morrendo em silêncio.

A situação ficou insuportável.
A gente não teme mais as bombas tanto quanto a fome.

O pão sumiu. A farinha acabou.
As mães moem o que resta de arroz ou lentilha para assar em fogueiras de lenha — só pra uma criança sentir que comeu alguma coisa.
Leite em pó pra bebê não tem.
A gente agora bebe água salgada.
Nem as folhas das árvores são mais uma opção pra quem pensa em cozinhá-las.

Os mercados estão vazios…
Sem verdura, sem óleo, sem açúcar… nada.
A gente espera em filas enormes, debaixo do sol ou da chuva, por um pão — se existir — e, muitas vezes, volta com nada.

Fome não é exagero…
É a realidade que a gente vive a cada hora.

As crianças viraram esqueletos ambulantes.
As mulheres desmaiam de fome enquanto cozinham — se houver o que cozinhar.
Os idosos não reclamam… porque ninguém mais está ouvindo.

O caos está aumentando…
A fome levou alguns a roubar.
A fome transformou bondade em fraqueza, e silêncio em morte lenta.
O caos reina porque as barrigas estão vazias, e os corações, partidos.

Eu sou Yamen.
Não sou jornalista, não sou ativista, não busco fama.
Sou só um jovem palestino tentando compartilhar a minha dor… a dor da minha família… e a dor de dois milhões de pessoas presas neste inferno.

A vida toda eu sonhei em ter um filho e brincar com ele,
mas agora… eu tenho medo de casar.
Tenho medo de trazer um filho pra este mundo cruel.
E agradeço a Deus por todas as minhas tentativas de casar terem fracassado.
Porque eu não sei o que eu diria se meu filho gritasse pra mim: “Me alimenta!”

Eu não escrevo essas palavras pra buscar pena…
Eu escrevo pra gritar com o que resta de voz que a gente tem.

A gente não está só morrendo sob as bombas…
A gente está morrendo agora:
De fome, de opressão, de isolamento — e do silêncio do mundo.

Eu escrevo estas palavras com o coração partido.
Eu escrevo estas palavras com fome.
Sabendo que a pior fase desta guerra não são as bombas,
mas esta fase:
A fase do cerco deliberado e da fome de um povo inteiro.

Pra quem se importa… leia isso.
Pra quem tem consciência… compartilhe.
Porque a gente não tem mais nada além das nossas palavras…
E porque o silêncio, hoje, é um crime.

Texto de Yamen

Gaza vive colapso humanitário sob ofensiva e bloqueio total de Israel

A Faixa de Gaza enfrenta uma das piores crises humanitárias de sua história recente. Desde o colapso do cessar-fogo em março de 2025, Israel impôs um bloqueio total ao território, impedindo a entrada de alimentos, água potável, medicamentos e combustível. A situação se agravou com a aprovação, em 5 de maio, de um plano israelense para ocupar integralmente Gaza e deslocar sua população para o sul do enclave.

O número de mortos ultrapassa 52 mil, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. A maioria das vítimas são civis, incluindo mulheres e crianças. A ONU alerta para uma iminente fome generalizada, com 92% das crianças e mães lactantes sofrendo de desnutrição severa.

O bloqueio israelense, iniciado em 2 de março, resultou na escassez total de alimentos e medicamentos. Hospitais operam com recursos mínimos, e a água potável tornou-se praticamente inexistente. Relatos de saques a armazéns de ajuda humanitária refletem o desespero da população.

A comunidade internacional expressa crescente preocupação. A ONU condenou o plano israelense de privatizar a distribuição de ajuda, considerando-o uma violação dos princípios humanitários. Organizações de direitos humanos alertam para o uso da fome como arma de guerra.

O Hamas, por sua vez, rejeitou novas negociações de cessar-fogo sob as atuais condições, apelando à comunidade internacional para pressionar Israel a encerrar o bloqueio e cessar os ataques.

A situação em Gaza exige uma resposta urgente e coordenada da comunidade internacional para evitar uma catástrofe humanitária ainda maior.

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