A falta de energia provocada pelo forte vendaval que atingiu a Região Metropolitana do Rio na quarta-feira, 29 de julho, ainda afetava moradores da Baixada Fluminense nesta sexta-feira, 31. Relatos apontam interrupções superiores a 20 horas em Mesquita e períodos próximos ou acima de 40 horas em trechos de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, sem uma previsão única para o restabelecimento do serviço.
No momento mais crítico, cerca de 1,1 milhão de clientes atendidos pela Light ficaram sem eletricidade. Na quinta-feira, 30, aproximadamente 279 mil consumidores ainda aguardavam a normalização. Na manhã de sexta-feira, cerca de 156 mil imóveis permaneciam sem energia nas áreas atendidas pelas concessionárias Light e Enel.
Nova Iguaçu e Duque de Caxias estavam entre os municípios da Baixada com trechos mais afetados. A concessionária não apresentou uma relação pública completa dos bairros atingidos nem divulgou um horário único para o retorno do fornecimento.
A ausência de informações detalhadas aumentou a insegurança dos moradores, que passaram a depender dos canais individuais de atendimento para tentar obter previsões. Em diferentes pontos, a energia chegou a retornar por alguns minutos ou horas, mas voltou a cair.
Em Mesquita, moradores relataram que a interrupção começou por volta das 16h10 de quarta-feira. O serviço teria sido retomado às 23h50, mas uma nova queda ocorreu aproximadamente 50 minutos depois, perto de 0h40. Na tarde de quinta-feira, algumas áreas ainda continuavam sem eletricidade, acumulando mais de 20 horas de instabilidade.
Além das residências, o apagão atingiu serviços essenciais e atividades comerciais. Moradores relataram falta de sinal de celular e internet, fechamento de academias e estabelecimentos, semáforos apagados e dificuldades para abastecer veículos em postos onde as bombas dependiam de eletricidade.
A interrupção dos semáforos também elevou o risco de acidentes e agravou os congestionamentos em vias movimentadas. Sem energia, pequenos comerciantes enfrentaram dificuldades para conservar alimentos e manter máquinas, sistemas de pagamento e equipamentos de refrigeração em funcionamento.
Em Nova Iguaçu e Duque de Caxias, os danos provocados pelo vento dificultaram o trabalho de recuperação. Em alguns locais, a normalização não dependia apenas de uma religação. Equipes precisavam reconstruir trechos da rede afetados pela queda de árvores, postes e cabos.
A demora levou moradores a realizar protestos em pontos da Região Metropolitana. Ruas foram bloqueadas com barricadas em manifestações contra a falta de energia e a ausência de previsões mais precisas para a retomada do serviço.
Falta de luz também prejudica abastecimento de água
As oscilações e quedas de energia também atingiram unidades responsáveis pelo abastecimento de água na Baixada Fluminense, na capital e no Leste Metropolitano.
Sistemas de bombeamento dependem do fornecimento elétrico para distribuir água, principalmente para áreas elevadas e regiões localizadas nas extremidades das redes. Mesmo depois da retomada da energia, a recuperação pode ocorrer lentamente, porque as tubulações precisam recuperar pressão e os reservatórios precisam voltar aos níveis adequados.
Em situações anteriores de paralisação de sistemas de bombeamento, empresas de abastecimento informaram que a normalização pode levar de 48 a 72 horas, especialmente em áreas altas e nas pontas da rede.
Moradores devem priorizar o consumo essencial da água armazenada em caixas-d’água e cisternas até que o fornecimento seja completamente estabilizado.
Impactos atingem com maior força famílias vulneráveis
A interrupção prolongada expõe desigualdades históricas na infraestrutura da Baixada Fluminense. Famílias sem geradores, grandes reservatórios de água ou recursos para substituir alimentos perdidos enfrentam os maiores impactos.
Pessoas idosas, crianças, pacientes que utilizam equipamentos elétricos e moradores que precisam armazenar medicamentos refrigerados também ficam em situação de maior risco durante apagões prolongados.
A falta de eletricidade compromete ainda a comunicação com serviços de emergência. A interrupção da internet e do sinal de telefonia dificulta o registro das ocorrências e o acompanhamento dos pedidos feitos à concessionária.
Consumidor deve guardar protocolos e registrar prejuízos
Os moradores devem comunicar a interrupção à Light e guardar todos os números de protocolo. Fotografias, vídeos, notas fiscais e registros dos horários de queda e retorno da energia podem ajudar a comprovar a duração do problema e eventuais prejuízos.
A Agência Nacional de Energia Elétrica acompanha indicadores de duração e frequência das interrupções e prevê compensações quando os limites de continuidade do serviço são ultrapassados. Os valores, quando aplicáveis, são creditados na conta de energia.
Nos casos de aparelhos danificados por oscilações ou quedas de energia, o consumidor pode solicitar ressarcimento à distribuidora. Também é recomendável evitar o descarte imediato do equipamento e manter notas fiscais, laudos, orçamentos e outros documentos relacionados ao dano.
Perdas de alimentos, medicamentos e mercadorias também devem ser registradas. Quando não houver solução pelos canais da concessionária, o consumidor pode procurar o Procon e a Ouvidoria da Aneel. A agência reguladora atua na intermediação de reclamações que não foram solucionadas diretamente pela distribuidora.
Como registrar a falta de energia
Telefone de emergência da Light: 0800 021 0196
WhatsApp da Light: (21) 99981-6059
Também estão disponíveis o aplicativo Light Clientes e a Agência Virtual, na opção destinada à falta de energia e demais emergências.
Reclamações ao Procon-RJ podem ser encaminhadas pelo telefone (21) 2216-8686 ou pelo e-mail ouvidoria@procon.rj.gov.br.
Até o fechamento desta matéria, não havia um balanço público consolidado com todos os bairros da Baixada Fluminense ainda sem energia nem uma previsão específica para o restabelecimento em cada localidade.
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