Policiais militares do 39º BPM (Belford Roxo) prenderam nesta segunda-feira, 5 de maio de 2025, Lucas do Nascimento Bruno, conhecido como “LC” ou “Luquinha”, apontado como um dos chefes do tráfico de drogas no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio. A região é um dos redutos históricos da facção Comando Vermelho (CV). Contra Lucas havia um mandado de prisão pelo assassinato brutal de três crianças ocorrido no Morro do Castelar, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, em dezembro de 2020.
A prisão foi realizada após uma operação de inteligência. Com o acusado, os agentes encontraram uma pistola Glock calibre .40, arma de uso restrito. Lucas foi encaminhado à 54ª Delegacia de Polícia para registro da ocorrência.
O caso pelo qual “Luquinha” é acusado gerou comoção nacional e internacional. As vítimas — Lucas Matheus, de 8 anos, Alexandre da Silva, de 10, e Fernando Henrique, de 11 — desapareceram no dia 26 de dezembro de 2020, após saírem para jogar bola em um campo de futebol na comunidade de Areia Branca. Três dias depois, o silêncio e a ausência se tornaram símbolo de uma tragédia profunda.
Investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) revelaram que os meninos foram sequestrados por traficantes locais, torturados e assassinados. O motivo teria sido uma retaliação cruel e desproporcional por conta do suposto roubo de um passarinho de estimação de um dos criminosos. Um dos garotos teria morrido durante a sessão de espancamento; os outros dois foram executados em seguida.
A brutalidade do crime levou a uma denúncia formal ao Comitê das Nações Unidas contra o Desaparecimento Forçado. O caso evidenciou a falência da segurança pública em territórios controlados pelo crime organizado, onde até mesmo a infância se torna alvo da barbárie.
Em 2021, cinco suspeitos já haviam sido presos por envolvimento direto no crime. A prisão de “Luquinha” representa uma nova etapa na responsabilização dos autores, mas também reabre as feridas de uma tragédia que nunca deveria ter acontecido.
A organização ComCausa, que acompanha o caso desde o início por meio do programa Defesa da Vida, reforça a importância da justiça e da memória para evitar novas violações. “Esse não é um caso isolado. É fruto de um sistema que falha cotidianamente com os territórios mais vulneráveis. As crianças de Belford Roxo mereciam viver. Precisamos lembrar seus nomes e garantir que a violência não siga impune”, afirmou Adriano Dias, fundador da entidade.
A família das vítimas, ao lado de movimentos sociais e entidades de direitos humanos, mantém viva a memória dos meninos e continua a lutar para que nenhuma outra criança seja esquecida, desapareça ou morra em silêncio.
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