Metade dos alunos do Rio estuda sob domínio do crime organizado

Sala de aula

Mais de 800 mil crianças e adolescentes da rede pública de ensino do Rio de Janeiro estão sendo diretamente afetados pela violência armada em seu cotidiano escolar. O dado alarmante faz parte do estudo Educação Sob Cerco: as escolas do Grande Rio, divulgado nesta quinta-feira (29) por instituições como o Unicef, o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF (Geni/UFF) e o Instituto Fogo Cruzado.

O levantamento abrange a capital fluminense e mais 19 municípios da Baixada e Região Metropolitana. Segundo o estudo, 55% dos estudantes da rede pública da cidade do Rio frequentam escolas em áreas onde há registros constantes de tiroteios. Na Baixada Fluminense e no entorno metropolitano, o número chega a 48%.

Entre 2017 e 2022, ocorreram mais de 4.400 confrontos armados nas imediações de escolas públicas, forçando suspensões de aulas e colocando em risco a integridade física de alunos, professores e funcionários. Na Zona Norte do Rio, os casos foram ainda mais frequentes, somando 1.714 ocorrências. Já na Baixada Fluminense, foram registradas 1.110 situações semelhantes.

“A violência não é igual em todo o território. Identificamos padrões que podem ajudar a orientar políticas públicas mais eficazes e localizadas”, destacou Maria Isabel Couto, diretora do Instituto Fogo Cruzado.

Para Flavia Antunes, chefe do escritório do Unicef no Rio, os dados revelam como o controle territorial por facções e milícias amplia desigualdades históricas e impõe obstáculos ao direito básico à educação. “É urgente integrar políticas de segurança pública e educação para garantir proteção às crianças e adolescentes”, reforça.

Daniel Hirata, pesquisador do Geni/UFF, lembra que o relatório apresenta um retrato preciso da situação, mas é apenas o começo. “O próximo passo é agir concretamente para proteger nossos jovens. Negar esse problema é negar o direito igualitário à educação”, conclui.

A pesquisa lança luz sobre uma crise silenciosa, que transforma escolas em zonas de risco e compromete o futuro de toda uma geração.

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