Médica afirma em júri que Henry Borel chegou morto ao hospital

Medalha Henry Borel

A médica pediatra Maria Cristina de Souza afirmou durante o julgamento do caso Henry Borel, no Rio de Janeiro, que o menino chegou sem vida ao hospital na madrugada de 8 de março de 2021. O depoimento foi prestado nesta quarta-feira (27), durante o terceiro dia do Tribunal do Júri que julga o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e Monique Medeiros pela morte da criança.

Segundo a médica, a equipe realizou tentativas de reanimação por cerca de 50 minutos, incluindo massagem cardíaca, aplicação de adrenalina e intubação, mas sem sucesso. Ela declarou que Henry já não apresentava batimentos cardíacos quando chegou à unidade hospitalar.

Durante o depoimento, a pediatra também afirmou que a criança apresentava ferimentos no tórax, abdômen, punhos e coxas. De acordo com ela, o estado físico do menino era compatível com as imagens registradas pelo elevador do condomínio Cidade Jardim, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

A médica ainda rebateu a hipótese levantada pela defesa de que as manobras médicas poderiam ter provocado hemorragias internas. Segundo ela, os procedimentos realizados pela equipe não seriam capazes de causar as lesões identificadas no corpo da criança.

O julgamento ocorre no II Tribunal do Júri da Capital e é conduzido pela juíza Elizabeth Machado Louro. A previsão é que a sessão dure entre sete e dez dias devido ao número de testemunhas e à complexidade do processo.

Henry Borel morreu aos 4 anos. O caso provocou forte comoção nacional e impulsionou debates sobre violência infantil, proteção de crianças e responsabilidade familiar. Após o crime, foi sancionada a Lei Henry Borel, em 2022, que criou mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra crianças e adolescentes no Brasil.

No segundo dia de julgamento, o delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação na época, classificou as primeiras versões apresentadas pelos réus como uma “farsa ensaiada”. Segundo ele, as perícias concluíram que as 23 lesões encontradas no corpo da criança eram incompatíveis com acidente doméstico.

O Ministério Público sustenta que Dr. Jairinho provocou as agressões fatais e que Monique Medeiros teria se omitido diante da violência para preservar o relacionamento com o então vereador.

Jairinho responde pelos crimes de homicídio qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. Já Monique é julgada por homicídio por omissão qualificado, tortura, falsidade ideológica e fraude processual.

O Conselho de Sentença é formado por sete jurados. Caso haja condenação com pena superior a 15 anos, a Justiça poderá determinar prisão imediata dos réus ainda no tribunal.

A sessão será retomada nesta quinta-feira (28), com novos depoimentos de testemunhas de defesa e acusação antes dos interrogatórios finais dos réus e dos debates orais.

Linha do tempo – Caso Henry Borel

8 de março de 2021 – Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morre no Rio de Janeiro. Laudos apontaram lesões incompatíveis com acidente, incluindo hemorragia interna e laceração hepática.

2021 – O caso gera comoção nacional. Monique Medeiros e Dr. Jairinho passam a responder por homicídio triplamente qualificado e tortura.

2021 – No Rio de Janeiro, é sancionada a Lei Estadual 9.286/21, que dá prioridade à investigação de mortes violentas de crianças e adolescentes.

24 de maio de 2022 – É sancionada a Lei Federal Henry Borel, Lei nº 14.344/2022, criando mecanismos de proteção contra violência doméstica e familiar contra crianças e adolescentes e tornando hediondo o homicídio de menores de 14 anos.

24 de setembro de 2023 – Aplicação da Lei Henry Borel pelo Conselho Tutelar de Niterói em caso de maus-tratos contra criança.

3 de agosto de 2024 – Novo depoimento da babá Thayna de Oliveira, afirmando que a avó materna teria sido informada sobre agressões de Dr. Jairinho.

8 de março de 2025 – Quatro anos após a morte: justiça e a dor da família diante da demora no julgamento.

10 de setembro de 2025 – Justiça aceita testemunhas do Ministério Público e garante o depoimento de Leniel Borel, pai de Henry, no júri.

22 de janeiro de 2026 – Novo laudo pericial em 3D descarta queda acidental e reforça a tese de agressões físicas como causa da morte.

23 de março de 2026 – Começa o julgamento de Monique Medeiros e Dr. Jairinho no II Tribunal do Júri da Capital.

26 de março de 2026 – Leniel Borel recorre contra decisão que concedeu liberdade provisória a Monique Medeiros.

10 de abril de 2026 – Ministério Público do Rio recorre da soltura de Monique Medeiros.

Abril de 2026 – Ministro Gilmar Mendes restabelece a prisão preventiva de Monique Medeiros, recolocando o caso no centro do debate público.

25 de maio de 2026 – Retomada do julgamento do Caso Henry Borel

26 de maio de 2026 – Primeiro dia do julgamento do caso Henry Borel termina sem ouvir testemunhas

27 de mai de 2026 – Julgamento do caso Henry Borel avança com depoimento sobre mensagens da babá

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