O psiquiatra Rafael Bernardon afirmou, no terceiro dia do julgamento do caso Henry Borel, que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, apresentaria perfil manipulador, sedutor e com traços de psicopatia. O depoimento ocorreu nesta quarta-feira (27), no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, onde Jairinho e Monique Medeiros respondem pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos.
Segundo o especialista, a avaliação foi construída a partir da análise de documentos do processo e de relatos de pessoas ouvidas durante a investigação. Ele disse ter identificado um padrão de violência contra crianças pequenas em episódios atribuídos ao réu. A defesa contestou o depoimento e alegou que o psiquiatra não teve contato direto com Jairinho.
O médico também afirmou que Monique Medeiros, mãe de Henry, não teria perfil submisso na relação com o então companheiro. A declaração confronta uma das principais linhas da defesa, que sustenta que ela vivia em um relacionamento abusivo e teria agido sob pressão.
Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. Monique é julgada por homicídio por omissão qualificado, tortura, falsidade ideológica e fraude processual.
Henry morreu em 8 de março de 2021. O caso provocou comoção nacional e ampliou o debate sobre violência doméstica contra crianças, responsabilização de adultos e falhas na rede de proteção. Em 2022, foi sancionada a Lei Henry Borel, que criou mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes.
O julgamento segue com novas oitivas antes dos interrogatórios dos réus e dos debates finais. A decisão caberá a sete jurados.
Linha do tempo – Caso Henry Borel
8 de março de 2021 – Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morre no Rio de Janeiro. Laudos apontaram lesões incompatíveis com acidente, incluindo hemorragia interna e laceração hepática.
24 de setembro de 2023 – Aplicação da Lei Henry Borel pelo Conselho Tutelar de Niterói em caso de maus-tratos contra criança.
3 de agosto de 2024 – Novo depoimento da babá Thayna de Oliveira, afirmando que a avó materna teria sido informada sobre agressões de Dr. Jairinho.
8 de março de 2025 – Quatro anos após a morte: justiça e a dor da família diante da demora no julgamento.
10 de setembro de 2025 – Justiça aceita testemunhas do Ministério Público e garante o depoimento de Leniel Borel, pai de Henry, no júri.
22 de janeiro de 2026 – Novo laudo pericial em 3D descarta queda acidental e reforça a tese de agressões físicas como causa da morte.
23 de março de 2026 – Começa o julgamento de Monique Medeiros e Dr. Jairinho no II Tribunal do Júri da Capital.
26 de março de 2026 – Leniel Borel recorre contra decisão que concedeu liberdade provisória a Monique Medeiros.
10 de abril de 2026 – Ministério Público do Rio recorre da soltura de Monique Medeiros.
Abril de 2026 – Ministro Gilmar Mendes restabelece a prisão preventiva de Monique Medeiros, recolocando o caso no centro do debate público.
25 de maio de 2026 – Retomada do julgamento do Caso Henry Borel
26 de maio de 2026 – Primeiro dia do julgamento do caso Henry Borel termina sem ouvir testemunhas
27 de mai de 2026 – Julgamento do caso Henry Borel avança com depoimento sobre mensagens da babá
27 de mai de 2026 – Médica afirma em júri que Henry Borel chegou morto ao hospital
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