Comissão DH da Câmara pede informações ao Itamaraty sobre interceptação da Flotilha Global Sumud e desaparecimento de brasileiro

Câmara dos Deputados realiza audiência sobre reforça mobilização - nacional pela vida- Reimont

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, deputado Reimont (PT-RJ), enviou um ofício de caráter urgente ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, solicitando esclarecimentos imediatos sobre a atuação do governo brasileiro diante da interceptação da Flotilha Global Sumud por forças militares de Israel, no dia 1º de outubro. O caso ganhou repercussão internacional por envolver parlamentares, ativistas, jornalistas e defensores de direitos humanos de diversos países, unidos em uma missão humanitária em apoio ao povo palestino.

De acordo com informações recebidas pela Comissão, a ação israelense resultou em graves violações de direitos humanos, incluindo a apreensão da embarcação, a detenção arbitrária de cidadãos estrangeiros e a obstrução da entrega de suprimentos essenciais destinados à população civil da Faixa de Gaza, que enfrenta uma das mais severas crises humanitárias do mundo. A região sofre com bloqueio terrestre, aéreo e marítimo imposto por Israel desde 2007, situação que gera escassez crônica de alimentos, medicamentos, água potável e energia elétrica.

No documento, Reimont chama atenção para a situação do cineasta brasileiro Miguel Viveiros de Castro, integrante da flotilha, que não aparece nas listas oficiais de presos ou deportados divulgadas por Israel. Seu desaparecimento levanta a possibilidade de prisão não registrada, desaparecimento forçado ou privação de liberdade sem garantias legais mínimas. O parlamentar também destacou a detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), ex-presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, levada contra a sua vontade por militares israelenses, o que configura afronta à soberania nacional e cria um grave precedente diplomático.

Para o presidente da Comissão, a interceptação da Flotilha Global Sumud configura uma violação direta ao direito internacional humanitário e às convenções internacionais que asseguram a liberdade de navegação e a proteção de missões humanitárias em zonas de conflito. “A gravidade da situação exige respostas céleres e firmes do Estado brasileiro, tanto em defesa de seus cidadãos quanto na reafirmação do compromisso com a paz, a justiça e a proteção da vida”, declarou Reimont.

O pedido enviado ao Itamaraty exige informações detalhadas sobre o paradeiro e a segurança de todos os brasileiros participantes da missão, além da atuação imediata do governo para garantir sua libertação e repatriação. O parlamentar também solicita que o Brasil apresente denúncias formais em organismos internacionais, como a ONU e a Corte Internacional de Justiça, sobre a obstrução de ajuda humanitária, o sequestro de cidadãos e a violência praticada contra representantes políticos estrangeiros.

A Flotilha Global Sumud tinha como objetivo transportar alimentos, medicamentos, água potável, equipamentos médicos e outros insumos básicos para Gaza, em um gesto de solidariedade internacional. O nome “Sumud”, palavra árabe que significa “resistência” ou “perseverança”, foi escolhido para simbolizar o compromisso com a defesa da vida e da dignidade humana. A iniciativa segue a tradição de outras flotilhas humanitárias que, nos últimos anos, também enfrentaram interceptações violentas de Israel — como a flotilha do navio Mavi Marmara, em 2010, que resultou na morte de nove ativistas turcos e repercutiu em todo o mundo.

Ao concluir o documento, Reimont reafirmou que a mobilização da diplomacia brasileira é um dever inadiável, tanto para proteger seus cidadãos quanto para se posicionar de forma ativa na defesa do direito internacional e da dignidade humana. Para o deputado, a resposta do Brasil é aguardada não apenas pelas famílias dos brasileiros envolvidos, mas também por toda a sociedade civil que acompanha, com preocupação, os desdobramentos da crise em Gaza.

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