O júri popular dos policiais militares acusados pela morte de Kathlen Romeu, jovem de 24 anos que estava grávida quando foi atingida por um tiro de fuzil durante uma ação policial no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi adiado de 26 de novembro para 1º de dezembro de 2026, às 10h. A nova data foi divulgada pela família, que também convocou a sociedade a participar de um ato por justiça no dia do julgamento.
Segundo o comunicado familiar, o adiamento teria ocorrido em razão de um possível conflito de agenda, diante da quantidade de audiências previstas para novembro. A justificativa provocou indignação, especialmente após mais de cinco anos de espera pela realização do júri popular.
A mãe de Kathlen, Jacklline de Oliveira, criticou a dificuldade de organização da agenda judicial e reafirmou que a mudança não enfraquecerá a mobilização da família. No comunicado, ela destacou que os cinco dias adicionais de espera não serão suficientes para interromper a busca por justiça.
A família também pediu apoio na divulgação da nova data e convocou a população a comparecer ao ato previsto para 1º de dezembro, reforçando a importância de preservar a memória de Kathlen Romeu e de seu bebê.
Kathlen Romeu foi morta aos 24 anos durante ação policial
Kathlen de Oliveira Romeu morreu em 8 de junho de 2021, após ser atingida por um disparo de fuzil no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A jovem, que trabalhava como modelo e designer de interiores, estava grávida de 13 semanas e caminhava com a avó quando foi atingida no tórax durante uma ação de policiais militares.
Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu ao ferimento. A gestação também foi interrompida pela violência. O caso provocou indignação e passou a representar uma das histórias mais conhecidas na mobilização de familiares de vítimas da violência armada no Rio de Janeiro. Desde então, os familiares de Kathlen cobram responsabilização criminal, esclarecimento dos fatos e medidas para evitar que outras famílias enfrentem perdas semelhantes.
Dois policiais militares serão julgados por homicídio qualificado
Os policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano são acusados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro de envolvimento na morte de Kathlen Romeu. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a denúncia sustenta que os policiais efetuaram disparos contra pessoas não identificadas durante patrulhamento no Complexo do Lins e que um dos tiros atingiu Kathlen.
Em março de 2025, a Justiça determinou que os acusados fossem submetidos ao Tribunal do Júri. A decisão foi mantida, por unanimidade, pela Sexta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em setembro daquele ano. Os réus respondem à acusação de homicídio qualificado. A responsabilidade criminal pela morte de Kathlen será examinada pelos jurados, respeitados o devido processo legal e o direito de defesa.
Policiais também foram condenados por fraude na cena do crime
O caso também teve desdobramentos relacionados à preservação das provas. Em março de 2026, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou que três policiais militares foram condenados pela Justiça por alterarem a cena da morte de Kathlen Romeu. De acordo com o Ministério Público, os agentes retiraram cartuchos deflagrados de fuzis utilizados pelos próprios policiais e apresentaram outros materiais na delegacia, com o objetivo de simular vestígios de um suposto confronto armado. A condenação por fraude processual ocorreu em procedimento distinto da ação penal por homicídio, que será submetida ao júri popular.
Família convoca sociedade para acompanhar o julgamento
A mobilização em torno do caso não se limita à busca por responsabilização criminal. Para a família, a presença da sociedade representa solidariedade e compromisso com a memória de Kathlen e com o direito à vida. Em entrevista à Agência Brasil, publicada em setembro de 2026, Jacklline de Oliveira já havia destacado a importância da participação da sociedade civil no julgamento.
Com a alteração da data, a família renova o convite para que movimentos sociais, organizações de direitos humanos, familiares de vítimas da violência e cidadãos acompanhem o ato previsto para o dia 1º de dezembro.
O pedido também inclui a divulgação da história de Kathlen, das circunstâncias de sua morte e das informações sobre o processo judicial. A família reafirma que continuará mobilizada para exigir justiça e que a dor pela perda da jovem e de seu bebê não deve ser esquecida.
Direito à vida e enfrentamento da violência
A morte de Kathlen Romeu também integra o debate sobre violência armada, segurança pública, proteção da população civil e responsabilização por mortes ocorridas durante operações policiais. A garantia do direito à vida, a preservação das provas, a investigação independente e o julgamento dos responsáveis são elementos fundamentais para o funcionamento do sistema de Justiça.
Para organizações de direitos humanos e movimentos de familiares de vítimas, acompanhar casos como o de Kathlen significa também defender medidas de prevenção capazes de impedir novas mortes. A memória da jovem e de seu bebê permanece associada à luta contra a violência e à cobrança por justiça.
Serviço – Júri popular e ato por justiça
Caso: Kathlen de Oliveira Romeu
Nova data: Terça-feira, 1º de dezembro de 2026
Horário: 10h
Local: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
Município: Rio de Janeiro
Mobilização: Ato convocado pela família para o dia do julgamento
Objetivo: Acompanhar o júri popular e reforçar a mobilização por justiça e pela memória de Kathlen e de seu bebê
A família solicita que a nova data seja amplamente compartilhada, para que as pessoas interessadas possam acompanhar a mobilização.
Ato convocado para 1º de dezembro de 2026. O ponto exato de concentração e eventuais orientações de acesso deverão ser confirmados com a organização.
ComCausa – Defesa da Vida
A ComCausa – Cultura de Direitos, por meio de suas iniciativas de promoção dos direitos humanos e defesa da vida, reconhece a importância do direito à memória, da proteção das vítimas e familiares e do acompanhamento social dos processos de responsabilização pela violência.
A defesa da vida exige compromisso com a prevenção das violências, a garantia de direitos e o fortalecimento dos mecanismos de acesso à Justiça.
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