Reconhecimento será recebido por Adriano Dias, fundador da organização, em cerimônia que reunirá lideranças religiosas, educadores, comunicadores e ativistas sociais
A ComCausa – Defesa da Vida estará representada na solenidade de homenagem que integra a formatura dos novos capelães e capelãs do curso Capelania do Povo do Axé. O reconhecimento será recebido pelo jornalista, comunicador popular e fundador da organização, Adriano Dias, por sua trajetória de mais de quatro décadas dedicada aos direitos humanos, à igualdade racial, à cidadania, à liberdade religiosa e à defesa das comunidades tradicionais de matriz africana.
A cerimônia será realizada nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026, às 19h, no Teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias. Promovido pelo Templo Catobandista das Rainhas, o encontro reunirá representantes das religiões de matriz africana, lideranças cristãs, educadores, profissionais, comunicadores, agentes culturais, ativistas sociais, familiares dos formandos e integrantes da sociedade civil. Além da entrega dos diplomas e das credenciais aos novos capelães e capelãs, a programação contará com uma solenidade de reconhecimento a pessoas que desenvolvem trabalhos permanentes de acolhimento, solidariedade, orientação espiritual, promoção da igualdade racial, segurança alimentar, cultura, educação e defesa dos direitos humanos.
Homenagem reconhece a trajetória de Adriano Dias e da ComCausa
Entre as pessoas homenageadas, está Adriano Dias, jornalista, comunicador popular e fundador da ComCausa – Defesa da Vida. Com mais de 40 anos de atuação, sua trajetória está ligada à construção de iniciativas de comunicação popular, proteção social, defesa dos direitos humanos, promoção da cidadania, igualdade racial e enfrentamento às diferentes formas de violência, preconceito e discriminação.
Uma parte fundamental dessa caminhada está diretamente relacionada à defesa da liberdade religiosa e dos direitos das comunidades tradicionais de matriz africana. Ao longo de sua trajetória, Adriano Dias tem participado de articulações, campanhas, mobilizações, denúncias públicas e ações territoriais de enfrentamento ao racismo religioso e à intolerância contra terreiros, templos, sacerdotes, sacerdotisas e praticantes das religiões de matriz africana. Sua atuação também contribui para fortalecer o diálogo entre lideranças religiosas, organizações sociais, movimentos de direitos humanos, instituições públicas e comunidades.
A homenagem concedida a Adriano Dias representa também um reconhecimento ao trabalho coletivo desenvolvido pela ComCausa. A organização atua na construção de redes de proteção, no apoio às lideranças religiosas, na valorização da ancestralidade e na defesa dos terreiros como espaços de fé, cultura, acolhimento, solidariedade, segurança alimentar, memória, cuidado comunitário e promoção da dignidade humana.
Ao receber a homenagem, Adriano Dias representará as pessoas, os voluntários, os profissionais, as lideranças e as organizações parceiras que constroem diariamente a missão da ComCausa. Mais do que uma distinção individual, o reconhecimento reafirma que a defesa da vida também passa pelo respeito à fé, pela liberdade de crença, pelo combate ao racismo religioso e pela garantia de que todas as tradições possam existir e se expressar sem medo de perseguição, discriminação ou violência.
Capelania reconhece uma missão ancestral de cuidado
O curso Capelania do Povo do Axé foi idealizado por Mãe Inara de Iansã, , em parceria com o pastor Marcos, e conta com o respaldo educacional da Escola Técnica Oceantec. A iniciativa nasceu da necessidade de oferecer formação, diploma e credencial a pessoas que já desenvolvem, há muitos anos, trabalhos de escuta, orientação espiritual, acolhimento, proteção comunitária, solidariedade e apoio às famílias em situações de sofrimento ou vulnerabilidade.
A formação não representa o início do trabalho realizado pelas comunidades de matriz africana, mas o reconhecimento institucional de uma missão ancestral exercida há gerações nos terreiros, templos, casas religiosas e territórios tradicionais. Por meio da ancestralidade, da orientação espiritual, da escuta, da solidariedade e da presença comunitária, sacerdotes, sacerdotisas e integrantes do Povo do Axé sempre estiveram ao lado de pessoas que enfrentam situações de doença, luto, fome, abandono, violência e exclusão social.
Com a conclusão do curso, os novos capelães e capelãs estarão mais preparados para atuar em hospitais, instituições sociais, unidades de acolhimento, comunidades e outros espaços nos quais as pessoas necessitem de apoio espiritual, escuta qualificada, orientação e presença solidária. A formação também contribui para garantir que pessoas pertencentes às religiões de matriz africana possam receber assistência religiosa de acordo com sua fé, seus fundamentos, seus valores e sua ancestralidade.
Diálogo inter-religioso com protagonismo do Povo do Axé
A solenidade terá caráter laico, ecumênico e inter-religioso, reunindo representantes de diferentes tradições religiosas. A proposta é demonstrar que a convivência entre pessoas de diferentes crenças pode ser construída com respeito, reconhecimento mútuo e compromisso com a dignidade humana.
Entretanto, o caráter inter-religioso do encontro não retira o protagonismo das comunidades de matriz africana. Toda a preparação, a mobilização e a organização da cerimônia são conduzidas pelo Templo Catobandista das Rainhas. A Secretaria Municipal de Cultura de Duque de Caxias apoia a realização por meio da cessão do Teatro Raul Cortez.
A presença de representantes católicos, evangélicos, umbandistas, candomblecistas e de outras tradições reforça a importância do diálogo religioso. Esse diálogo, porém, não deve exigir que as comunidades de matriz africana escondam sua identidade, seus símbolos, seus fundamentos, seus ritos ou sua ancestralidade.
Solenidade reunirá diferentes homenageados
Além de Adriano Dias, serão homenageadas pessoas de diferentes religiões, profissões e áreas de atuação que possuem em comum o compromisso com o cuidado, a solidariedade, a educação, a cultura, a segurança alimentar, a promoção da igualdade racial, a liberdade religiosa e a defesa dos direitos humanos.
Serão homenageados Adilson Ferreira; Adriano Dias; Andrea da Marchinha; Ariel Blanco; Danielle Costa; Diaconisa Graça Soares; Diácono Adilson; Bàbálórìṣà Diego Campeão Romero; Doté Ivo Pontual; Ekedji Elisangela de Yemanjá; Frei Róger Brunorio; Frei Athaylton Jorge Monteiro Belo, conhecido como Frei Tatá; Mãe Bia, Ana Beatriz T’Osun; Dra. Iyá Lúcia de Oxum; João Gabriel Pereira; Lili Morais; Mãe Adriana Ty Oyá; Mãe Bianca Morelli; Mãe Joelma de Ogum; Mãe Mamet’u Jaminakongo; Mãe Zilmar; Padre Ronaldo de Souza Caetano; Pai Felipe D’Oxóssi; Pai Márcio D’Oxóssi; Pai Nando; Patrícia Moura, conhecida como Paty Moura; professor Paulo Roberto; professora Deise Guilhermina; professor e pastor Mauricio Valente; e professor Marcos Carvalho, representante da Escola Técnica Oceantec.
A escolha dos homenageados busca valorizar trajetórias construídas em diferentes territórios e áreas da sociedade. São pessoas que, por meio de suas atividades religiosas, profissionais, educacionais, culturais, sociais e comunitárias, contribuem para acolher, orientar, proteger e transformar realidades.
Entre os reconhecidos estão servidores públicos, integrantes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, educadores, pesquisadores, comunicadores, agentes culturais, ativistas sociais, lideranças cristãs e representantes do Povo do Axé. A diversidade dos homenageados reforça o caráter plural do encontro e demonstra que o cuidado comunitário pode assumir diferentes formas, desde a orientação espiritual e o acolhimento religioso até a educação, a segurança alimentar, a cultura, a prevenção de riscos e a defesa de direitos.
Lideranças do Povo do Axé e ações comunitárias
Entre as lideranças de matriz africana homenageadas estão sacerdotes, sacerdotisas, dirigentes de casas religiosas e integrantes de projetos sociais que desenvolvem ações permanentes de preservação da ancestralidade, combate à fome, apoio às mulheres, defesa da liberdade religiosa, educação antirracista e proteção comunitária.
O Bàbálórìṣà Diego Campeão Romero será reconhecido por sua atuação como sacerdote de Candomblé, educador físico, gestor escolar e advogado, além de sua participação no projeto Sopão de Dona Mulambo das Almas. Doté Ivo Pontual e Ekedji Elisangela de Yemanjá serão homenageados por suas contribuições ao Legado Cultural Africano, iniciativa dedicada à preservação, valorização e divulgação da cultura afro-brasileira.
Mãe Bia, Ana Beatriz T’Osun, Dra. Iyá Lúcia de Oxum, João Gabriel Pereira, Mãe Adriana Ty Oyá, Mãe Bianca Morelli, Mãe Joelma de Ogum, Mãe Mamet’u Jaminakongo, Mãe Zilmar, Pai Felipe D’Oxóssi, Pai Márcio D’Oxóssi e Pai Nando também receberão o reconhecimento por suas trajetórias religiosas, sociais e comunitárias.
Essas lideranças desenvolvem trabalhos que envolvem orientação espiritual, preservação das tradições, enfrentamento ao racismo, fortalecimento das mulheres, segurança alimentar, acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, combate à violência doméstica, educação antirracista e defesa dos direitos humanos.
Educação, cultura, solidariedade e diálogo religioso
A cerimônia também reconhecerá representantes de tradições cristãs que desenvolvem trabalhos de acolhimento, solidariedade, educação e diálogo inter-religioso. Entre eles estão a Diaconisa Graça Soares, o Diácono Adilson, Frei Róger Brunorio, Frei Athaylton Jorge Monteiro Belo, conhecido como Frei Tatá, o Padre Ronaldo de Souza Caetano e o professor e pastor Mauricio Valente.
Frei Róger Brunorio será homenageado por sua atuação no diálogo inter-religioso e na promoção do respeito às religiões de matriz africana, enquanto Frei Tatá será reconhecido por sua trajetória na promoção da igualdade racial, sua participação na fundação da EDUCAFRO, seu trabalho na Pastoral Afro e sua atuação na gestão pública.
Também serão reconhecidas trajetórias ligadas à educação, à cultura, à comunicação, à prevenção de riscos, à inclusão social e à proteção comunitária. Adilson Ferreira, Andrea da Marchinha, Ariel Blanco, Danielle Costa, Lili Morais, Paty Moura, o professor Paulo Roberto, a professora Deise Guilhermina e o professor Marcos Carvalho representam diferentes campos de atuação, mas compartilham o compromisso com a transformação social e a defesa da dignidade humana.
Combate ao racismo e à intolerância religiosa
A cerimônia também pretende chamar a atenção para o racismo religioso e para as diferentes formas de violência enfrentadas pelas comunidades de matriz africana. Terreiros, templos, sacerdotes, sacerdotisas e praticantes dessas religiões ainda convivem com ataques, ameaças, invasões, destruição de símbolos sagrados, discursos de ódio, discriminação e dificuldades para ocupar espaços institucionais em condições de igualdade.
Ao promover uma cerimônia aberta a diferentes tradições religiosas sem esconder sua identidade de matriz africana, o Templo Catobandista das Rainhas reafirma que o diálogo inter-religioso não exige o apagamento das diferenças. Uma sociedade verdadeiramente democrática precisa garantir respeito, liberdade de crença, autonomia religiosa, reconhecimento da diversidade e proteção às comunidades ameaçadas.
A homenagem a Adriano Dias e à ComCausa fortalece essa mensagem. Ao longo de mais de quatro décadas, sua atuação tem contribuído para dar visibilidade às denúncias de intolerância, apoiar comunidades atingidas e construir pontes entre terreiros, organizações sociais, movimentos de direitos humanos e instituições públicas.
Para a ComCausa, defender a liberdade religiosa significa garantir que todas as pessoas possam professar sua fé, preservar seus espaços sagrados, utilizar suas vestimentas e símbolos, realizar suas celebrações e transmitir seus conhecimentos e tradições sem medo de perseguição, discriminação ou violência.
Uma noite de ancestralidade, formação e reconhecimento
Com a mensagem “Leve acolhimento, fé e esperança a quem mais precisa”, a programação reunirá ancestralidade, formação, diversidade religiosa, solidariedade e compromisso social.
A noite será dividida entre a formatura dos novos capelães e capelãs, com a entrega dos diplomas e das credenciais, e a solenidade de homenagem às pessoas reconhecidas por suas contribuições religiosas, sociais, culturais, educacionais, profissionais e comunitárias.
A homenagem recebida por Adriano Dias representará também o reconhecimento à ComCausa e a todas as pessoas que participam de sua trajetória. Mais do que uma distinção individual, a honraria reafirma o compromisso coletivo com a defesa da vida, da igualdade racial, da liberdade religiosa e dos direitos das comunidades tradicionais de matriz africana.
Serviço
Evento: Formatura dos novos capelães e capelãs do Povo do Axé e solenidade de homenagem
Data: 5 de agosto de 2026
Horário: 19h
Local: Teatro Raul Cortez
Endereço: Praça da Emancipação, s/nº, Vila Meriti, Duque de Caxias
Realização: Templo Catobandista das Rainhas e Capelania do Povo do Axé
Idealização: Mãe Inara de Iansã
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