Enquanto os líderes das maiores economias globais se reuniram no Rio de Janeiro para o encontro do G20, dezenas de movimentos populares, organizações da sociedade civil, sindicatos e centrais sindicais do Brasil se mobilizaram para realizar um evento paralelo, autônomo e crítico à abordagem do fórum oficial. A “Cúpula dos Povos Frente ao G20” foi lançada oficialmente no dia 14 de setembro, com uma grande mobilização que começou às 15h na saída do metrô São Conrado e seguiu em caminhada até a Via Ápia, na Rocinha, onde ocorreram as atividades do dia.
O processo organizativo da Cúpula dos Povos Frente ao G20 vem sendo construído desde o início do ano, com reuniões, seminários e plenárias realizadas em formato presencial e virtual, abrangendo diferentes escalas – local, estadual e nacional. Uma plenária nacional de organização ocorreu nos dias 13 e 14 de setembro no Sinpro-RJ, localizado na Rua Pedro Lessa, nº 35, no centro do Rio de Janeiro. Nela, representantes de diversas entidades articularam os próximos passos das mobilizações.
A ComCausa, uma das entidades envolvidas, tem publicado matérias críticas sobre o evento internacional e informações essenciais sobre os encaminhamentos do G20. Durante o evento, Adriano Dias, fundador da ComCausa, tomou a palavra para alertar sobre a importância das mobilizações, tanto nas ruas quanto nas redes sociais, para promover transformações sociais e climáticas: “É necessário que estejamos organizados, nas ruas e também nas redes, que foi onde perdemos o Brasil, perdemos a humanização, nesses corredores obscuros das redes sociais.” Ele finalizou afirmando que a instituição está à disposição para somar esforços com a Cúpula dos Povos.
A convocatória para a Cúpula dos Povos foi lançada em 19 de junho, ecoando a mobilização que aconteceu durante a Rio+20 em 2012. O objetivo do evento é questionar as políticas e práticas do G20, destacando sua responsabilidade na manutenção e ampliação das desigualdades sociais e econômicas no mundo. Os temas em debate vão além da crítica às políticas econômicas globais, incluindo a urgência de novas abordagens à crise ambiental, a luta antirracista e a solidariedade internacional, especialmente em relação ao povo palestino e a crise na Faixa de Gaza.
Críticas à Legitimidade do G20
Os movimentos populares presentes na Cúpula dos Povos criticam o G20 por ser um espaço que privilegia as nações mais ricas, ampliando a privatização de recursos e a exploração de recursos naturais, enquanto diminui o papel do Estado como provedor de políticas públicas. As entidades denunciam o fórum como um espaço “ilegítimo”, já que não tem institucionalidade formal e suas decisões ignoram frequentemente os interesses dos países mais vulneráveis, que sofrem as maiores consequências das crises globais, mas não têm voz ativa nas deliberações.
A Cúpula dos Povos Frente ao G20 segue com o propósito de não apenas criticar, mas propor alternativas concretas para enfrentar os desafios globais, promovendo a justiça social, econômica e ambiental.
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