A Delegacia de Homicídios (DH) do Rio de Janeiro concluiu o inquérito sobre a morte do jovem Herus Guimarães Mendes, de 21 anos, ocorrida durante uma festa junina na favela Santo Amaro, na Zona Sul da capital, em junho de 2025. A investigação apontou que o policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) responsável pelo disparo fatal agiu em legítima defesa putativa, ou seja, acreditando estar sob ameaça iminente, embora a ameaça não fosse real.
De acordo com a Polícia Civil, o agente reagiu em meio a um “cenário de tiros, correria e ataque pesado com armamento de guerra por parte de traficantes”. O laudo e as imagens de câmeras corporais utilizadas na ação, segundo a DH, comprovam que não houve excesso ou ilegalidade na conduta do policial, e o inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para análise.
A festa reunia quadrilhas juninas de várias regiões do estado e acontecia em clima comunitário, com a presença de muitas crianças e famílias. Segundo testemunhas, no momento dos disparos, um grupo de dançarinos se apresentava. A ação da polícia surpreendeu os participantes, resultando em pelo menos seis pessoas feridas, além da morte de Herus.
Contradições e responsabilizações
Em depoimento à 9ª Delegacia de Polícia (Catete), o sargento Daniel Sousa da Silva, do Bope, declarou ter sido o único policial a efetuar disparos durante a ação na favela Santo Amaro. Ele afirmou que reagiu aos tiros de criminosos, versão que contradiz a nota oficial inicial da Polícia Militar, que alegava que nenhum disparo havia sido feito pelos agentes naquela noite.
O caso gerou repercussão imediata. No dia seguinte à operação, o governador Cláudio Castro (PL) exonerou os comandantes do Bope e do Comando de Operações Especiais (COE) e determinou o afastamento de 12 policiais envolvidos na ação. No entanto, três meses depois, o então comandante do Bope à época, Aristheu de Goes Lopes, foi nomeado superintendente de Gestão Integrada da PM — decisão tomada após o encerramento do inquérito pela Corregedoria da corporação.
Apurações paralelas seguem em andamento
Apesar da conclusão da Delegacia de Homicídios, outros procedimentos continuam em curso. O Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública (Gaesp) do Ministério Público informou que recebeu o inquérito da DH e o está analisando em conjunto com outros procedimentos, incluindo um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) do MPRJ e um Inquérito Policial Militar (IPM) aberto pela PMERJ, que indiciou dois policiais militares.
O caso reacende o debate sobre o uso da força policial em áreas densamente povoadas e a letalidade de operações durante eventos comunitários. A morte de Herus Mendes é mais um capítulo trágico que evidencia os impactos da violência armada sobre civis em favelas cariocas e a necessidade de protocolos mais seguros para a atuação das forças de segurança em ambientes com alta circulação de moradores e crianças.
Organizações como a ComCausa, que atuam na Defesa da vida e dos direitos humanos, vêm denunciando sistematicamente a banalização da violência estatal em territórios periféricos, cobrando transparência, responsabilização e políticas públicas que priorizem a vida.
Palavras-chave:
Operação policial durante festa junina no Santo Amaro termina com jovem morto e cinco feridos
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