O Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas é celebrado neste domingo (2), coincidindo simbolicamente com o Dia de Finados. A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2013, em homenagem aos dois jornalistas franceses assassinados no Mali, em 2013, e busca chamar atenção para a crescente violência contra profissionais da comunicação e para o alarmante índice de impunidade nesses casos.
De acordo com dados da UNESCO, mais de 1.600 jornalistas foram mortos no exercício da profissão nos últimos 20 anos em todo o mundo. Em cerca de 9 em cada 10 casos, os autores desses crimes nunca foram levados à Justiça. Essa impunidade, além de desrespeitar as vítimas e suas famílias, ameaça a liberdade de imprensa e enfraquece a democracia, já que o medo e a autocensura se tornam barreiras para o trabalho jornalístico independente.
Brasil entre os países mais perigosos para jornalistas
No contexto latino-americano, o Brasil segue entre os países com maior número de ataques e assassinatos de jornalistas. De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), apenas em 2024 foram registradas mais de 400 agressões a profissionais da imprensa, incluindo casos de ameaças, perseguições e censura judicial. Nos últimos anos, crimes de homicídio contra comunicadores locais — especialmente em cidades pequenas e médias — continuam ocorrendo, muitas vezes relacionados à denúncia de corrupção, tráfico de influência e violações de direitos humanos.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a Repórteres sem Fronteiras (RSF) apontam que a impunidade no país é agravada pela morosidade judicial, pela falta de proteção estatal e, em alguns casos, por conivência de autoridades locais. A ausência de investigações eficazes e a desvalorização da profissão criam um ambiente de vulnerabilidade e medo.
Luta por memória, justiça e liberdade
Organizações da sociedade civil, sindicatos e entidades de imprensa promovem, neste 2 de novembro, atos, debates e campanhas virtuais para denunciar a violência contra jornalistas e exigir políticas públicas de proteção e responsabilização. Entre as bandeiras levantadas estão a implementação de protocolos de segurança, monitoramento permanente de casos de violência, e o fortalecimento de mecanismos legais que assegurem a liberdade de expressão e o direito à informação.
Para a UNESCO, combater a impunidade é também uma forma de preservar a memória dos que foram silenciados e de reafirmar o papel essencial do jornalismo na construção de sociedades justas e transparentes. “Quando se mata um jornalista e o crime fica impune, toda a sociedade perde”, reforça a agência das Nações Unidas.
Reflexão e compromisso coletivo
O Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas é, portanto, uma data de luto, memória e resistência. É um chamado para governos, instituições e cidadãos assumirem a defesa intransigente da liberdade de imprensa como pilar da democracia.
Num mundo em que a desinformação e o autoritarismo ganham espaço, proteger jornalistas é proteger o direito de todos à verdade.
Imagem de capa ilustrativa
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