Ronnie Lessa aponta réu de caso Patrícia Amieiro como parceiro de crime

Patrícia Amieiro

Em nova delação premiada, o ex-policial militar Ronnie Lessa — acusado de executar a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes — revelou à Justiça a participação do policial Fábio da Silveira Santana, conhecido como Fábio Caveira, no assassinato do também ex-PM André Henrique da Silva Souza, o “André Zóio”. Segundo Lessa, Fábio também teria matado Juliana Sales de Oliveira, namorada de André, contrariando um acordo prévio entre os executores.

Os crimes teriam ocorrido no dia 14 de junho de 2014, na comunidade Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o Ministério Público, André Zóio integrava uma milícia em Campo Grande e buscava expandir seu domínio até a Freguesia, em Jacarepaguá. A motivação do crime teria sido um conflito por lucros envolvendo máquinas de música e fliperamas na região. Lessa relatou que, dias antes, havia desarmado André durante uma discussão em um restaurante e, após o episódio, decidiu eliminá-lo em parceria com Fábio Caveira, utilizando fuzis AK-47 e AR-15. Segundo ele, o objetivo era “eliminar para não ser eliminado”.

A delação também reforça o envolvimento dos irmãos Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, e Chiquinho Brazão, deputado federal, como mandantes da morte de Marielle. Ambos estão presos pela Polícia Federal.

Além de ser citado por Lessa como executor de Juliana Sales, Fábio da Silveira Santana é réu no emblemático caso Patrícia Amieiro. A engenheira de 24 anos desapareceu em 14 de junho de 2008, após ter seu carro alvejado por policiais militares ao retornar de uma festa na Zona Sul do Rio. O veículo foi encontrado abandonado na Barra da Tijuca, com sinais de colisão, o vidro traseiro estilhaçado e o porta-malas aberto. O corpo da jovem nunca foi localizado.

As investigações apontam que os policiais envolvidos teriam removido o corpo e jogado o carro no Canal de Marapendi, em uma tentativa de ocultar o crime. O Ministério Público sustenta que o caso foi tratado desde o início com indícios de fraude processual por parte dos agentes.

Na próxima sexta-feira, 14 de junho, o desaparecimento de Patrícia completa 16 anos. Para marcar a data, a Justiça remarcou o novo júri popular para o dia 20 de junho. Os PMs Marcos Paulo Nogueira Maranhão e William Luís Nascimento responderão por tentativa de homicídio, enquanto Fábio Silveira Santana e Marcos Oliveira responderão novamente por fraude processual.

No julgamento anterior, realizado em dezembro de 2019, Maranhão e Nascimento foram condenados a três anos de prisão por fraude processual. Já Fábio e Marcos Oliveira foram absolvidos. A reabertura do júri reacende as expectativas por justiça para um dos casos mais emblemáticos de violência de Estado no Rio de Janeiro.

A nova delação de Lessa insere Fábio Caveira no centro de múltiplos episódios de violência e evidencia o entrelaçamento de diferentes redes criminosas dentro das corporações de segurança pública fluminenses, onde milícia, corrupção e silenciamento caminham lado a lado.