Feira da Glória é reconhecida como patrimônio cultural do Rio e pode receber novos investimentos

Feira da Glória

A Feira Livre da Glória, um dos mais antigos e movimentados pontos culturais do Rio de Janeiro, foi oficialmente reconhecida como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado. A medida foi sancionada pelo governador Cláudio Castro nesta terça-feira, 8 de julho, após aprovação do projeto de lei da deputada estadual Verônia Lima na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Realizada todos os domingos na Avenida Augusto Severo, no bairro da Glória, zona sul da capital, a feira existe há mais de 100 anos e se consolidou como um símbolo da cultura popular carioca. Com uma atmosfera única, mistura cores, cheiros, sabores e sons, reunindo cariocas de diferentes gerações e turistas que buscam um programa cultural e gastronômico fora do circuito de praias e pontos turísticos convencionais.

Tradição e diversidade a céu aberto

A Feira da Glória começa a funcionar por volta das 9h e segue até as 18h, transformando a avenida em um grande corredor cultural. Ao longo de dezenas de barracas, é possível encontrar frutas frescas, pastéis, tapiocas, acarajés, queijos artesanais, além de bebidas típicas como caldo de cana, cachaça e até hidromel. Também há ampla oferta de artesanatos, roupas, acessórios e artigos místicos, muitos produzidos por pequenos empreendedores locais.

Além do aspecto comercial, a feira é conhecida por sua vida cultural vibrante. Todos os domingos, músicos, capoeiristas e sambistas ocupam o espaço com rodas de samba, danças populares e intervenções artísticas, que fazem da feira um verdadeiro palco a céu aberto, promovendo lazer e convivência comunitária em plena cidade.

Reconhecimento e impactos esperados

O título de patrimônio imaterial representa o reconhecimento oficial do valor cultural e histórico da feira. Embora não implique mudanças imediatas na rotina do evento, o novo status possibilita parcerias com instituições públicas e privadas, além de abrir portas para projetos de fomento, ações educativas, melhorias na infraestrutura e valorização dos expositores e artistas populares.

O poder executivo estadual, a partir de agora, pode desenvolver políticas públicas específicas voltadas à preservação, promoção e incentivo da Feira da Glória como espaço cultural. A expectativa é que a medida traga mais visibilidade e investimento, sem descaracterizar a identidade popular que faz da feira um patrimônio vivo da cidade.

Cultura de resistência e identidade fluminense

Com origens que remontam ao início do século XX, a Feira da Glória representa mais que um local de comércio: é um espaço de memória e resistência cultural. Em um Rio de Janeiro cada vez mais marcado por desigualdades e transformações urbanas, a feira se manteve como um dos raros espaços democráticos, onde o encontro entre gerações, classes e culturas acontece de forma espontânea e orgânica.

A decisão da Alerj e do Governo do Estado atende ao clamor de frequentadores, artistas e produtores culturais, que há anos reivindicam maior proteção e reconhecimento à feira como um importante ativo do patrimônio cultural fluminense.

Com o novo título, a Feira da Glória reafirma seu papel como símbolo da identidade carioca, sendo agora não apenas um local querido pelo povo, mas também protegido por lei como expressão legítima da cultura do Estado do Rio de Janeiro.

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