Na 9ª edição do Prêmio PublishNews Catavento, pela primeira vez o estado do Rio de Janeiro conquistou o título de “Melhor Livreiro do Ano”. O vencedor foi Diogo Santana, fundador da Livraria Córdula, localizada em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
O prêmio, promovido pela Distribuidora Catavento em parceria com o PublishNews, o maior portal de jornalismo literário do país, é uma das maiores honrarias do mercado editorial brasileiro, reconhecendo os profissionais e instituições que mais contribuem para o fortalecimento da cultura do livro no país.
A ComCausa tem a alegria de anunciar que está firmando uma parceria com a Livraria Córdula, com o objetivo de desenvolver atividades conjuntas, encontros, formações e ações culturais no espaço, fortalecendo ainda mais a promoção da leitura, dos direitos e da cidadania na Baixada Fluminense.
Confira abaixo a entrevista com Diogo Santana:
Primeiramente, parabéns pela conquista. Qual foi a sensação de ser escolhido “Melhor Livreiro do Ano” no Prêmio PublishNews Catavento?
Diogo Santana: A sensação é, sinceramente, indescritível. Foi um misto de surpresa, emoção e gratidão. A gente só descobre o resultado na hora, lá no palco, então o frio na barriga é real. Estava lá representando não só a nossa livraria, mas toda a Baixada Fluminense. Esse prêmio não é só meu. Ele representa a luta, a resistência e a força cultural de todo um território que, muitas vezes, é invisibilizado. Ver um trabalho que começou de forma tão simples, nas ruas, sendo reconhecido nacionalmente é uma sensação que não cabe no peito.
Conta pra gente como surgiu a Livraria Córdula e como foi esse caminho até aqui.
Diogo Santana: A Livraria Córdula nasceu em 2019, de forma totalmente itinerante. A gente não tinha um espaço fixo. Levávamos livros para onde o povo estava: praças, feiras, eventos culturais, rodas de conversa, encontros comunitários… Era um trabalho de formiguinha, feito no amor, na disposição e na resistência.
Foi só em agosto de 2020, em meio a todos os desafios da pandemia, que conseguimos conquistar nosso espaço físico, que fica na Rua Manoel Marcelo Nunes, no Centro de São João de Meriti. Desde então, a livraria se tornou um ponto de resistência cultural, de formação de leitores e de fortalecimento da produção literária local.
E qual é a proposta da Córdula? Que tipo de livro o público encontra lá?
Diogo Santana: A nossa proposta vai muito além de vender livros. A Córdula é um espaço de encontro, de formação, de afeto e, acima de tudo, de fortalecimento dos autores da Baixada Fluminense. Nosso acervo prioriza as produções locais e periféricas, mas também é bastante diverso.
Temos literatura brasileira, estrangeira, livros infantis, poesia, filosofia, sociologia, história, temas ligados às lutas antirracistas, feministas, LGBTQIA+, decoloniais e de resistência. A nossa missão é fazer com que cada pessoa que entre na livraria se sinta representada e encontre uma obra que converse com sua história, seus sonhos e seus desafios.
Essa foi a primeira vez que o estado do Rio participou do prêmio, certo? Como foi esse processo?
Diogo Santana: Isso mesmo. O prêmio já existe há nove anos e, até então, o Rio de Janeiro nunca tinha participado. Quando vi que as inscrições estavam abertas, decidi me inscrever na categoria de “Melhor Livreiro do Ano”.
Ser escolhido como finalista por um júri técnico já foi uma vitória imensa, porque significa que o nosso trabalho foi reconhecido como relevante dentro do mercado livreiro nacional. Aí veio a etapa da votação popular, e foi simplesmente lindo! Uma corrente enorme de apoio se formou. Foram leitores, escritores, parceiros, coletivos culturais, artistas, amigos e, claro, a comunidade da Baixada Fluminense inteira que abraçou essa campanha. Sem essa mobilização, não seria possível. Esse prêmio é coletivo, ele é nosso.
E como foi o momento da cerimônia no Instituto Goethe, em São Paulo?
Diogo Santana: Inesquecível. Um frio na barriga do início ao fim, porque a gente só sabe quem ganhou no palco, no anúncio final. Fui acompanhado pela autora Meg Antunes. Estar lá, no meio de tanta gente incrível do mercado editorial, já era algo gigante pra mim.
Foi ainda mais especial porque outra livraria do nosso estado, a Livraria Funambule, também venceu na categoria de “Melhor Livraria do Ano”. Ver o Rio de Janeiro subindo duas vezes naquele palco foi muito simbólico. Mostra que a gente também produz cultura, conhecimento e resistência.
Que mensagem você deixa para outros livreiros, escritores, educadores e agentes culturais das periferias e da Baixada Fluminense?
Diogo Santana: A minha mensagem é muito clara: acreditem no que vocês fazem. A cultura da periferia é potente, é viva, é transformadora e precisa ser valorizada. Esse prêmio não é apenas um troféu, é uma afirmação de que nós, das periferias, da Baixada, dos territórios historicamente marginalizados, somos produtores de conhecimento, de arte, de educação e de transformação social.
Nossa missão é muito maior do que vender livros. A gente promove acesso, promove sonho, promove pertencimento, promove revolução através da leitura. E que fique o recado: a Baixada lê, produz e resiste!
A ComCausa terá orgulho em construir, junto com a Livraria Córdula, uma parceria para a realização de atividades culturais, educativas e de formação cidadã, que fortalecerão os territórios da Baixada Fluminense por meio da leitura, da cultura e da defesa da vida.
A Livraria Córdula está localizada na Rua Manoel Marcelo Nunes, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O espaço se consolidou como um ponto de resistência cultural, incentivo à leitura e valorização da produção literária periférica. Acompanhe pelas redes sociais: @livraria.cordula.
Mais notícias
ComCausa participará de mutirão da Defensoria Pública voltado a familiares de pessoas desaparecidas
| Projeto Comunicando ComCausa
| Portal C3 | Instagram C3 Oficial
______________

Compartilhe: