A Praça dos Direitos Humanos, no Centro de Nova Iguaçu, recebeu na quarta-feira (6) um ato em solidariedade a mães vítimas da violência de Estado e de desaparecimentos forçados na Baixada Fluminense organizado pelo Forúm Grita Baixada. A atividade reuniu familiares, movimentos sociais, defensores de direitos humanos e representantes da sociedade civil em uma programação marcada por homenagens, exibição de documentário e roda de conversa sobre memória, justiça e reparação.
Com o tema “Do luto à luta: mães que desafiam o silêncio”, o encontro destacou a trajetória de mulheres que transformaram a dor da perda em mobilização social e denúncia pública. O ato deu visibilidade a familiares que ainda aguardam respostas sobre mortes e desaparecimentos relacionados à atuação de agentes do Estado ou a casos marcados por omissões institucionais.
A programação incluiu a exibição do documentário “Nossos Mortos Têm Voz”, produção que retrata a resistência de mães e familiares de vítimas da violência na Baixada Fluminense. O filme reúne relatos sobre a luta pela preservação da memória, pela responsabilização dos envolvidos e pelo enfrentamento da violência que atinge principalmente jovens negros, pobres e moradores das periferias.
A ComCausa participou da atividade e foi representada por Alexandre Paiva. A presença reforçou o apoio da organização às famílias que lutam por justiça e pelo reconhecimento das violações de direitos humanos na região.
A Baixada Fluminense possui um histórico marcado por episódios de violência e denúncias envolvendo execuções, desaparecimentos e atuação de grupos armados. Um dos casos mais emblemáticos foi a Chacina da Baixada, ocorrida em 31 de março de 2005, quando 29 pessoas foram assassinadas em Nova Iguaçu e Queimados. O episódio se tornou símbolo da violência policial no estado e impulsionou movimentos de familiares em defesa da responsabilização dos autores e da proteção às vítimas indiretas.
Durante o encontro, participantes também cobraram políticas públicas voltadas ao acolhimento psicológico de familiares, fortalecimento das investigações e garantia de proteção às testemunhas e defensores de direitos humanos. Entre as principais reivindicações estão maior transparência nas apurações, combate à impunidade e ampliação das ações de assistência às famílias atingidas pela violência.
O ato ainda reforçou a importância da memória coletiva como instrumento de enfrentamento à violência e de preservação das histórias das vítimas. Para os organizadores, romper o silêncio sobre os casos é uma forma de pressionar o poder público por respostas e impedir que novos episódios se repitam na Baixada Fluminense.


