O que era para ser uma celebração da música e da cultura punk terminou em tragédia na noite do último fim de semana, em São Paulo. O festival gratuito “200 Anos de Punk”, realizado no Centro Cultural Tendal da Lapa, zona oeste da capital, reuniu um público animado para shows e atividades culturais, mas acabou marcado por um episódio de violência que resultou na morte de Helen Cristina Vital.
O evento, organizado pelo coletivo homônimo, contou com apresentações de bandas como DzK e Fogo Cruzado e transcorreu sem incidentes. No entanto, horas após o encerramento, a poucos quarteirões do local, ocorreu uma briga entre dois grupos. Helen foi brutalmente espancada e não resistiu aos ferimentos.
As circunstâncias do crime ainda são pouco claras. A Polícia Civil iniciou as investigações e busca testemunhas. Há relatos divergentes sobre quem teria participado do espancamento.
Em nota nas redes sociais, o coletivo 200 Anos de Punk lamentou a morte e expressou frustração com o fato de a cena punk ainda ser marcada por episódios de violência, mesmo após um evento organizado de forma pacífica.
O movimento punk em São Paulo, surgido no fim dos anos 1970, já foi marcado por rivalidades intensas entre gangues da capital e da Grande São Paulo, com confrontos violentos e até registros de mortes. Embora a cena tenha amadurecido e incorporado pautas políticas e sociais, episódios como o do último fim de semana reacendem um estigma que parecia superado.
Bandas históricas como Garotos Podres, Ratos de Porão, Cólera e DzK seguem atraindo novas gerações com discursos críticos e engajados. Porém, segundo integrantes da cena, a violência, mesmo isolada, fragiliza a imagem do movimento e serve de argumento para setores contrários à arte e à cultura em um contexto de polarização e radicalização política.
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