Dados recentes da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) revelam que a violência contra mulheres segue em patamar elevado no estado, tanto na rede de saúde quanto nos registros de segurança pública. Em 2025, até agosto, foram notificadas 42.152 ocorrências de violência na rede de saúde, sendo 30.978 com vítimas mulheres — o equivalente a 73,5% do total.
A violência física aparece como a forma mais recorrente de agressão, enquanto o estupro lidera entre os casos de violência sexual. As notificações feitas nas unidades de saúde têm caráter epidemiológico e assistencial, ou seja, não substituem registros policiais, mas servem para acionar redes de cuidado e monitorar o fenômeno.
Histórico recente reforça gravidade
O cenário já vinha sendo apontado como crítico. Em 2023, a rede de saúde registrou 55.270 atendimentos a mulheres vítimas de violência e negligência. Desse total, 28.611 foram casos de violência física e 6.233 de violência sexual.
Segundo os dados, cerca de 90% das vítimas de violência sexual eram mulheres, além de também representarem a maioria nos episódios de agressão física. Os números evidenciam a persistência da violência de gênero como um problema estrutural.
Segurança pública confirma tendência
No campo da segurança pública, os indicadores seguem na mesma direção. Em 2024, o estado do Rio registrou 107 vítimas de feminicídio, um aumento de 8% em relação ao ano anterior. Também foram contabilizadas 370 tentativas de feminicídio — o maior número da série recente — e mais de 5 mil denúncias de estupro de mulheres e meninas.
Os dados integram o Panorama da Violência contra a Mulher, levantamento oficial que acompanha a evolução desses crimes no estado.
Subnotificação e reincidência preocupam
Especialistas e órgãos públicos apontam que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação, especialmente em casos de violência doméstica e sexual.
Outro dado crítico é a reincidência: cerca de 42% das notificações registradas em 2025 indicam situações repetidas de violência, o que revela dificuldade de romper ciclos de agressão mesmo após o primeiro atendimento.
Integração de dados e políticas públicas
Como resposta, o estado vem ampliando a integração entre saúde, segurança e justiça. O Observatório do Feminicídio, lançado em 2025, reúne dados sobre mortes, medidas protetivas, notificações de saúde e prisões, com o objetivo de qualificar políticas públicas e prevenir novos casos.
A rede de atendimento inclui serviços como centros especializados (CEAM/CIAM), Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAM), Patrulha Maria da Penha, além de canais como o telefone 180 e o aplicativo Rede Mulher.
Limitações dos dados recentes
Embora haja indicação de continuidade da tendência em 2026, com registros parciais até março, o número específico de casos de violência sexual divulgado informalmente não aparece de forma consolidada em painel público aberto até o momento. Ainda assim, os dados disponíveis são compatíveis com o padrão observado nos anos anteriores.
Desafio estrutural
O conjunto dos dados aponta para um problema persistente e estrutural, que exige políticas públicas contínuas, fortalecimento da rede de proteção e ampliação do acesso à informação e à denúncia.
A violência contra mulheres no Rio de Janeiro permanece como um dos principais desafios na área de direitos humanos, exigindo ação integrada e permanente do poder público e da sociedade.
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