TT Catalão abre memória da Teia Nacional dos Pontos de Cultura

TT Catalão ComCausa

A ComCausa – Cultura de Direitos e Defesa da Vida inicia sua cobertura sobre a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura com uma homenagem a TT Catalão, jornalista, poeta, músico, letrista, escritor e ativista cultural que marcou a história da Cultura Viva, da comunicação popular e das lutas democráticas no Brasil.

Vanderlei dos Santos Catalão, conhecido nacionalmente como TT Catalão, nasceu no Rio de Janeiro, em 1948, foi criado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e construiu uma trajetória ligada à cultura, à palavra, à música, ao jornalismo e à defesa das vozes populares. Ele morreu em 2 de janeiro de 2020, aos 71 anos, em Brasília.

A escolha de abrir a cobertura da Teia Nacional com sua memória tem sentido afetivo, político e histórico. Antes das plenárias, fóruns, rodas de conversa e atividades que reunirão Pontos e Pontões de Cultura de todo o país em Aracruz, no Espírito Santo, a homenagem recoloca no centro da pauta uma dimensão essencial da Cultura Viva: as pessoas que ajudaram a construir essa política pública nos territórios.

TT Catalão teve atuação ligada à cultura comunitária, à comunicação democrática e à articulação de redes culturais. Sua trajetória dialoga diretamente com a ideia que sustenta os Pontos de Cultura: reconhecer que a produção cultural brasileira já existe nas comunidades, nas periferias, nos grupos populares, nos povos tradicionais e nas iniciativas que mantêm viva a memória coletiva do país.

Para a ComCausa, TT também representa uma presença concreta na própria história institucional. Em 2009, ele participou da inauguração da sede da organização em Nova Iguaçu, em um espaço cedido décadas antes por Dom Adriano Hypolito a movimentos sociais. Na ocasião, relembrou sua juventude na Baixada Fluminense, sua militância e sua relação com os movimentos culturais e sociais do território.

A homenagem também reforça que a Política Nacional Cultura Viva, instituída pela Lei nº 13.018, de 2014, não pode ser compreendida apenas por seus instrumentos administrativos, editais e estruturas formais. Ela se sustenta em encontros, afetos, escutas, memórias, redes e experiências construídas por pessoas que circularam entre comunidades, rádios, jornais, cineclubes, movimentos sociais, governos e Pontos de Cultura.

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura marca a retomada do encontro nacional após 12 anos. Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, a edição coloca a cultura comunitária no debate sobre crise ambiental, defesa dos territórios, sustentabilidade e modos de vida tradicionais.

Ao homenagear TT Catalão, a ComCausa reafirma que a Cultura Viva também é memória. E que a defesa da cultura popular passa pelo reconhecimento de quem ajudou a transformar comunicação, arte e participação social em caminhos de democracia.

A Teia Nacional e o reencontro da Cultura Viva

A homenagem a TT Catalão abre a cobertura da ComCausa em um momento simbólico. A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura será realizada de 19 a 24 de maio de 2026, em Aracruz, no Espírito Santo, com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”. Segundo a página oficial da Rede Cultura Viva, mantida pelo Governo Federal, a Teia é apresentada como a próxima edição do maior encontro dos Pontos de Cultura do Brasil. O Ministério da Cultura informa que os Pontos de Cultura são grupos e entidades culturais que desenvolvem ações artísticas e comunitárias em seus próprios territórios.

O próprio Ministério da Cultura informou oficialmente a nova data da 6ª Teia Nacional, confirmando sua realização em maio de 2026, em Aracruz, após alteração no calendário inicialmente previsto. A mudança foi anunciada pelo MinC e pela Comissão Organizadora, reforçando o caráter institucional do evento e a sua importância para a retomada nacional da agenda dos Pontos de Cultura.

Essa edição da Teia tem uma dimensão pública relevante porque recoloca a Política Nacional Cultura Viva no centro do debate nacional sobre cultura, território, participação social e justiça climática. A programação reúne fóruns, encontros, oficinas, debates, apresentações culturais, atividades autogestionadas, vivências em territórios, feira de economia criativa e solidária, rodas de conversa, seminários, ações audiovisuais e atividades descentralizadas.

Mas, para a ComCausa, a Teia também será um momento de reencontro com uma história que a própria organização ajudou a viver. Como Ponto de Cultura, Ponto de Mídia Livre, experiência vinculada ao Cine Mais Cultura e organização comprometida com a comunicação popular e os direitos humanos, a ComCausa participa dessa cobertura não apenas como veículo de imprensa, mas como parte da rede social, cultural e territorial que dá sentido à Cultura Viva.

Cultura Viva: quando o poder público reconhece o que já existe nos territórios

A história da Cultura Viva começa como política pública federal em 2004. A Portaria MinC nº 156, de 6 de julho de 2004, criou o Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva, com o objetivo de promover o acesso aos meios de fruição, produção e difusão cultural, além de potencializar energias sociais e culturais voltadas à cooperação e à solidariedade.

Esse ponto é fundamental para entender a contribuição de TT Catalão e a presença da ComCausa nessa história. O Cultura Viva não nasceu com a lógica de o Estado “levar cultura” para onde ela supostamente não existia. Ao contrário: nasceu da compreensão de que os territórios já produziam cultura, memória, linguagem, pertencimento, educação popular, comunicação e formas de organização comunitária. O papel do poder público deveria ser reconhecer, fortalecer, articular e garantir condições para que essas experiências continuassem vivas.

Essa visão aparece de forma muito clara na entrevista de TT Catalão à ComCausa, em 2009. Ao explicar o programa, ele afirmou que o Estado deveria potencializar o que já existe, trabalhar com as forças vivas da sociedade e não agir com arrogância para determinar “o que é” e “o que não é” cultura. Para TT, quando um grupo se tornava Ponto de Cultura, ele já era, na prática, um ponto de cultura antes do reconhecimento oficial.

Essa concepção é central para a trajetória da ComCausa. A organização sempre trabalhou com a ideia de cultura de direitos: uma cultura que não se limita a eventos, palcos ou apresentações, mas que se relaciona com cidadania, defesa da vida, memória social, comunicação comunitária, juventude, território, enfrentamento das desigualdades e participação popular.

De programa a política pública de Estado

Dez anos depois da criação do Programa Cultura Viva, o Brasil deu um passo decisivo. Em 2014, a Lei nº 13.018, sancionada pela Presidência da República, instituiu a Política Nacional de Cultura Viva. A lei consolidou juridicamente uma política pública voltada ao reconhecimento e fortalecimento de iniciativas culturais de base comunitária. Entre seus objetivos estão garantir o pleno exercício dos direitos culturais, estimular o protagonismo social na elaboração e gestão das políticas públicas de cultura, promover gestão pública compartilhada e participativa, consolidar a participação social e valorizar a diversidade cultural brasileira.

A mesma legislação define os Pontos de Cultura como entidades, grupos ou coletivos que desenvolvem e articulam atividades culturais em suas comunidades. Também define os Pontões de Cultura como estruturas de mobilização, formação, articulação e troca de experiências entre redes de Pontos de Cultura.

Essa transformação de programa em política pública é fundamental para a matéria. Ela mostra que o Cultura Viva deixou de ser apenas uma iniciativa de governo e passou a ter respaldo legal como política de Estado, com participação da União, estados, Distrito Federal, municípios e sociedade civil.

Nesse sentido, a Teia Nacional é mais do que um evento cultural. Ela é uma expressão pública dessa política. É um espaço de articulação entre poder público e sociedade civil. É um lugar de escuta, construção de propostas, avaliação de caminhos e fortalecimento de redes. Ao abrir a cobertura com TT Catalão, a ComCausa lembra que essa política pública também tem uma dimensão humana: ela foi construída por gestores, militantes, artistas, comunicadores, mestres, coletivos, movimentos e organizações que acreditaram que o Brasil precisava reconhecer a cultura feita pelo povo.

TT Catalão e a cultura como reconhecimento, escudo e visibilidade

Uma das imagens mais fortes deixadas por TT Catalão em sua entrevista à ComCausa é a ideia do “crachá” como escudo. Ao falar dos Pontos de Cultura, ele explicou que o reconhecimento do Governo Federal não resolvia todos os problemas, nem substituía as lutas locais, nem eliminava a violência, a pobreza ou o abandono. Mas ele dava visibilidade, legitimidade e uma espécie de proteção simbólica às organizações e pessoas que atuavam nos territórios.

Essa fala é profundamente atual. Em muitos territórios, organizações populares, culturais e comunitárias ainda enfrentam invisibilidade, preconceito, criminalização, falta de recursos, descontinuidade de políticas públicas e dificuldades para acessar o Estado. O reconhecimento como Ponto de Cultura, Ponto de Mídia Livre ou iniciativa apoiada por programas públicos não é apenas um título burocrático. É também um modo de dizer: essa experiência existe, tem valor público, produz cultura, gera cidadania e deve ser respeitada.

TT entendia isso. Para ele, o poder público tinha papel importante quando era capaz de reconhecer aquilo que nascia da sociedade. A entrevista de 2009 mostra que ele via a ComCausa como um exemplo forte desse processo: uma organização com trabalho reconhecido, articulada com comunidades, próxima de autoridades e atuante justamente nos espaços onde o poder público muitas vezes falhava.

Essa visão combina com o sentido mais profundo da Cultura Viva. O Estado não cria a cultura comunitária. O Estado reconhece, fomenta, protege e se articula com ela. Essa diferença é essencial. A Cultura Viva não transforma coletivos em dependentes do governo; ela reconhece que esses coletivos já são produtores de memória, linguagem, cuidado, cidadania e participação social.

TT Catalão, Nova Iguaçu e a memória da Baixada Fluminense

A relação de TT Catalão com a ComCausa também passa pela Baixada Fluminense. TT nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado em Nova Iguaçu, onde viveu parte decisiva de sua juventude. Em entrevista à ComCausa, ele disse que aprendeu na Baixada a mobilizar, a reagir, a acreditar nas próprias forças e a compreender o sentido de pertencimento periférico.

Essa lembrança tem grande peso para a ComCausa. A organização nasceu e se consolidou em diálogo com as realidades da Baixada Fluminense, território historicamente marcado por desigualdades sociais, violações de direitos, violência, apagamentos simbólicos, carências de políticas públicas e, ao mesmo tempo, por enorme potência cultural, comunitária e política.

Na trajetória de TT, a Baixada não aparece como periferia passiva. Aparece como escola de vida, militância, risco, solidariedade, clandestinidade e formação política. Ele relatou experiências durante a ditadura, interrogatórios, prisões, vigilância, desaparecimento de amigos pobres e a importância da Igreja Católica progressista, especialmente de lideranças como Dom Adriano Hypolito, na proteção de militantes e movimentos sociais.

Quando TT participou da inauguração da sede da ComCausa, em 2009, o gesto teve uma dimensão histórica. A sede estava localizada em um espaço ligado à memória de Dom Adriano e aos movimentos sociais. Para TT, retornar àquele território por meio do trabalho dos Pontos de Cultura era uma forma de reencontro com uma história de resistência.

A ComCausa e a cultura de direitos

A homenagem a TT Catalão também permite reafirmar a identidade da ComCausa. A organização atua na promoção dos direitos humanos, da cidadania, da memória social, da cultura comunitária, da comunicação popular e da defesa da vida. Sua presença na cobertura da Teia Nacional deve ser apresentada como continuidade de uma trajetória, e não como uma ação isolada.

Como Ponto de Cultura, a ComCausa se insere na política pública que reconhece iniciativas culturais de base comunitária. Como Ponto de Mídia Livre, reafirma que comunicação também é cultura, e que os territórios precisam contar suas próprias histórias. Como experiência ligada ao Cine Mais Cultura, valoriza o audiovisual como ferramenta de formação, debate, memória, circulação de imagens e democratização do acesso à produção cultural. Como iniciativa relacionada ao Comunicando ComCausa e ao reconhecimento no Prêmio Periferia Viva, do Ministério das Cidades, conecta cultura, comunicação, periferias, direito à cidade, justiça social e políticas públicas urbanas.

Essa combinação fortalece uma narrativa institucional importante: a ComCausa não cobre a Teia de fora. Ela fala a partir de dentro da história da Cultura Viva. A organização carrega experiências de comunicação comunitária, defesa de direitos, articulação territorial e produção de memória que dialogam diretamente com o espírito dos Pontos de Cultura.

Comunicação popular: “chegou a hora de falar quem só ouvia”

Entre as falas mais marcantes de TT Catalão está a frase: “Chegou a hora de falar quem só ouvia.” A expressão aparece como síntese da comunicação popular e da virada política proposta pelos Pontos de Cultura.

Essa frase é muito importante para a ComCausa e deve ganhar destaque na matéria. Ela traduz o papel dos Pontos de Mídia Livre, das rádios comunitárias, dos jornais populares, dos portais independentes, dos coletivos audiovisuais, dos cineclubes, das mídias de território e das experiências de comunicação de base.

Durante muito tempo, as periferias, comunidades tradicionais, juventudes, povos indígenas, quilombolas, trabalhadores pobres e movimentos sociais foram tratados apenas como objetos de reportagem. Eram falados por outros. Interpretados por outros. Narrados por outros. A Cultura Viva, especialmente quando se conecta à comunicação popular, muda essa posição: quem antes era apenas ouvido passa a falar; quem era retratado passa a narrar; quem era invisibilizado passa a construir sua própria presença pública.

TT compreendia a comunicação como instrumento de emancipação. Na entrevista à ComCausa, ele valorizou a possibilidade de as pessoas contarem suas histórias do próprio ponto de vista e alertou que o acesso digital precisava ter princípio, educação e sentido, não apenas consumo vazio de tecnologia.

Essa reflexão dialoga diretamente com a ComCausa como Ponto de Mídia Livre. Comunicar não é apenas publicar. É formar consciência. É disputar memória. É registrar violações. É fortalecer vínculos. É proteger comunidades. É dar visibilidade a quem costuma ser descartado. É transformar experiências locais em pauta pública.

TT Catalão e o Ministério da Cultura

TT Catalão também é lembrado por sua relação com o Ministério da Cultura e com a estrutura de cidadania cultural que ajudou a fortalecer os Pontos de Cultura. A entrevista publicada pela ComCausa apresenta TT como representante do Ministério da Cultura que participou da inauguração da sede da organização. No texto, ele é identificado como diretor de cidadania cultural do MinC e articulador de uma visão de política pública baseada na valorização das forças vivas da sociedade.

A Revista Fórum, ao noticiar sua morte, apresentou TT como um dos autores do programa Cultura Viva, reforçando sua ligação com a história dessa política pública.

Essa informação ajuda a posicionar a matéria em um campo importante: TT não foi apenas um artista ou jornalista sensível à cultura popular; ele também participou da construção institucional de uma política pública no âmbito do poder público federal. Sua trajetória atravessou sociedade civil, imprensa, militância cultural, gestão pública e articulação comunitária.

Isso é central para o enfoque da ComCausa. A organização também atua nesse espaço de ponte: entre comunidade e poder público, entre território e política institucional, entre denúncia e proposta, entre memória e ação pública. A homenagem a TT, portanto, não é apenas biográfica. É uma forma de afirmar uma concepção de Estado: um Estado que ouve os territórios, reconhece as culturas populares e fortalece quem já atua onde a política pública muitas vezes demora a chegar.

Poder público, sociedade civil e política cultural de base comunitária

A Política Nacional Cultura Viva é uma das experiências mais significativas de relação entre poder público e sociedade civil no campo cultural brasileiro. Sua lógica é diferente de políticas tradicionais que centralizam decisões e distribuem recursos apenas para grandes instituições ou circuitos formais. A Cultura Viva parte do reconhecimento de que a sociedade já produz cultura, e que o Estado deve estimular, apoiar e garantir meios para que essa produção se fortaleça.

A Lei nº 13.018/2014 explicita essa visão ao afirmar objetivos como estimular o protagonismo social na elaboração e gestão das políticas públicas de cultura, promover gestão compartilhada e participativa, consolidar participação social e garantir a cultura como direito de cidadania.

Essa relação entre poder público e sociedade civil é essencial para a Teia Nacional. A Teia é o lugar onde essa política aparece em forma de gente, território, fala, corpo, música, debate, reivindicação, memória e articulação. É onde o poder público encontra os Pontos de Cultura, onde gestores ouvem agentes culturais, onde propostas circulam, onde diferenças aparecem e onde a rede se reconhece.

Para a ComCausa, essa dimensão é estratégica. A organização atua em temas que exigem políticas públicas integradas: direitos humanos, cultura, comunicação, juventude, memória, prevenção de violências, defesa da vida, justiça climática e direito à cidade. A presença da ComCausa na Teia reafirma que os Pontos de Cultura não são apenas espaços artísticos, mas também estruturas comunitárias de proteção social, cidadania, educação popular e participação democrática.

Cultura Viva e justiça climática

A edição de 2026 da Teia tem como tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”. Esse tema amplia o sentido da Cultura Viva. Justiça climática não é apenas uma pauta ambiental. É uma pauta de direitos humanos. É uma pauta de território. É uma pauta de memória. É uma pauta de moradia, saneamento, alimentação, saúde, prevenção de riscos e participação social.

As populações mais afetadas por enchentes, deslizamentos, calor extremo, poluição, insegurança alimentar e falta de infraestrutura são, muitas vezes, as mesmas que sustentam práticas culturais comunitárias, redes solidárias, cozinhas coletivas, grupos de juventude, terreiros, coletivos artísticos, rádios comunitárias, cineclubes, associações de moradores e movimentos sociais.

Nesse ponto, a ComCausa tem um papel importante. Sua atuação em defesa da vida permite conectar a pauta climática às violações cotidianas de direitos. A cultura comunitária pode ser ferramenta de alerta, cuidado, prevenção, mobilização e reconstrução. A comunicação popular pode salvar vidas quando informa, denuncia, mobiliza e orienta. A memória social pode impedir que tragédias sejam naturalizadas. A política pública pode e deve reconhecer esse trabalho.

Ao homenagear TT Catalão no início dessa cobertura, a ComCausa afirma que a justiça climática também precisa de memória. Porque territórios sem memória ficam mais vulneráveis. Comunidades sem voz ficam mais expostas. Políticas sem participação popular se tornam frágeis. E cultura sem reconhecimento público pode ser invisibilizada mesmo quando sustenta a vida.

TT Catalão e o “crachá do bem”

A expressão usada por TT na entrevista à ComCausa — o reconhecimento como uma espécie de “crachá do bem” — merece destaque especial. Ele falava da importância simbólica e política de uma organização popular ser reconhecida por uma política pública.

Esse reconhecimento não substitui a autonomia dos movimentos. Pelo contrário, fortalece. A ComCausa, enquanto organização territorial, sabe que o reconhecimento público pode abrir portas, ampliar legitimidade, proteger narrativas, garantir diálogo com gestores, favorecer parcerias e fortalecer a autoestima coletiva dos grupos.

Para TT, isso era especialmente importante porque muitos grupos comunitários eram tratados como descartáveis. Em sua leitura, a rede dos Pontos de Cultura dificultava que essas experiências fossem simplesmente ignoradas, porque elas passavam a fazer parte de uma articulação nacional e até internacional.

Essa reflexão é atualíssima. Em um cenário de disputa por orçamento público, desinformação, desigualdade territorial e ataques à cultura, o reconhecimento das organizações populares como parte de políticas públicas é também uma forma de defesa democrática. Os Pontos de Cultura mostram que a cultura não está apenas nos grandes centros, nas instituições formais ou nos eventos de grande visibilidade. Ela está nas comunidades, nos bairros, nas aldeias, nos quilombos, nos coletivos, nas escolas livres, nos terreiros, nas rodas, nas cozinhas, nos muros, nas ruas, nos jornais comunitários e nos espaços de resistência.

A presença de TT na inauguração da ComCausa

Um dos pontos mais fortes da matéria deve ser a cena da chegada de TT Catalão à ComCausa. O texto da entrevista publicada pelo Portal C3 descreve o momento em que Adriano Dias saiu da Baixada para buscar no aeroporto o representante do Ministério da Cultura que participaria da inauguração da sede. O nervosismo por receber uma autoridade em um evento feito com dificuldades se transformou em encontro afetivo quando TT apareceu com um sorriso e uma saudação calorosa.

Esse detalhe humaniza a matéria. Mostra TT não apenas como gestor, articulador ou referência cultural, mas como pessoa capaz de criar vínculo imediato. A partir dali, segundo o relato, a ComCausa descobriu mais do que um representante institucional: encontrou alguém que compartilhava trincheiras ideológicas, afetos, histórias e compromissos com a cultura, a periferia e a transformação social.

Essa cena é preciosa para abrir ou fechar a matéria. Ela dá o tom do “carinho especial” solicitado para o destaque de TT Catalão. A homenagem não deve ser fria nem burocrática. Deve ter calor, presença, memória e reconhecimento.

Para a ComCausa, lembrar TT Catalão é lembrar que a Cultura Viva também se constrói no encontro. Na chegada ao aeroporto, na conversa de caminho, na rádio comunitária, na inauguração de uma sede, no reconhecimento de um território, no abraço entre militantes, na palavra que fortalece e no gesto do poder público quando ele se coloca a serviço das forças vivas da sociedade.

TT Catalão, Dom Adriano e os direitos humanos

Outro ponto importante é a relação entre TT Catalão, Nova Iguaçu, Dom Adriano Hypolito e os direitos humanos. TT relatou que, durante a ditadura, a Igreja Católica foi possibilidade de sobrevivência para muitos grupos de esquerda e que Dom Adriano foi fundamental na vida de militantes perseguidos.

Essa memória dialoga diretamente com a identidade da ComCausa. A organização tem na defesa dos direitos humanos uma de suas bases. Ao lembrar TT e Dom Adriano no contexto da Teia Nacional, a matéria pode mostrar que cultura e direitos humanos nunca estiveram separados. Em muitos momentos da história brasileira, os espaços culturais, pastorais, rádios, jornais, centros comunitários e movimentos sociais funcionaram como locais de proteção, denúncia, acolhimento e organização.

Na Teia Nacional, essa memória ganha novo sentido. A justiça climática, tema da edição de 2026, também exige proteção social, defesa dos vulneráveis, escuta das comunidades e enfrentamento de desigualdades. Assim como no passado a cultura ajudou a resistir à repressão política, hoje ela também pode ajudar a resistir à violência ambiental, ao racismo climático, à destruição de territórios e ao apagamento de comunidades.

Ao iniciar sua cobertura da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura com uma homenagem a TT Catalão, a ComCausa reafirma uma escolha política: contar a Cultura Viva a partir de suas pessoas, seus afetos, seus territórios e suas memórias.

A Teia Nacional de 2026 será realizada em Aracruz, reunindo Pontos de Cultura de todo o país para discutir justiça climática, políticas públicas, cultura comunitária, saberes tradicionais, juventudes, comunicação e participação social. Mas, antes de chegar à programação, a ComCausa lembra que essa rede tem raízes. E uma dessas raízes passa por TT Catalão.

Sua trajetória atravessou a Baixada Fluminense, Brasília, a comunicação, a poesia, o jornalismo, a gestão pública, a militância cultural e a construção dos Pontos de Cultura. Sua presença na inauguração da sede da ComCausa, em 2009, permanece como memória afetiva de um tempo em que a organização consolidava seu caminho como Ponto de Cultura e reafirmava sua atuação na cultura de direitos.

Hoje, como Ponto de Cultura, Ponto de Mídia Livre, experiência vinculada ao Cine Mais Cultura e iniciativa comprometida com a comunicação popular, a defesa da vida e os direitos humanos, a ComCausa reconhece em TT Catalão uma referência viva. Viva não no sentido físico, mas no sentido das ideias que permanecem, das redes que continuam, das frases que ainda orientam, das memórias que ainda mobilizam.

A Cultura Viva precisa de política pública, orçamento, gestão, legislação e compromisso do poder público. Mas também precisa de memória, coragem, carinho e presença. TT Catalão representa essa dimensão humana da política cultural. Ele lembrava que o Estado deve fortalecer o que já existe, que a comunicação deve permitir que fale quem antes só ouvia, e que o reconhecimento público pode ser um escudo para quem atua nos territórios.

Por isso, com carinho especial, a ComCausa abre sua cobertura da Teia Nacional dizendo:

TT Catalão vive na Cultura Viva. Vive na comunicação popular. Vive nos Pontos de Cultura. Vive na memória da ComCausa. Vive em cada território que insiste em transformar cultura em direito, palavra em presença e afeto em ação pública.

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