A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em parceria com o Fórum Grita Baixada, acaba de lançar uma Cartilha de Orientação às Situações de Desaparecimento Forçado. O material é resultado de um esforço conjunto entre pesquisadores, ativistas e familiares de vítimas, e tem como objetivo principal informar, acolher e orientar quem enfrenta o drama da ausência de um ente querido sem explicação.
A cartilha apresenta conceitos fundamentais sobre o desaparecimento forçado, diferenciando-o de outras formas de ausência não esclarecida, além de oferecer instruções práticas para os primeiros passos a serem tomados por familiares e amigos. Entre os temas abordados estão: o que fazer quando alguém desaparece, quais órgãos procurar, como registrar o caso corretamente e que documentos e informações devem ser organizados desde o início.
Além disso, a publicação reúne uma lista de contatos importantes, incluindo órgãos públicos, defensorias, entidades da sociedade civil e iniciativas voltadas ao acolhimento de vítimas. A cartilha também se propõe a empoderar as famílias com conhecimento sobre seus direitos e deveres do Estado, em um contexto onde a omissão institucional é recorrente.
A cartilha está disponível gratuitamente para download clicando neste link!
Importância e contexto
No Brasil, mais de 80 mil pessoas desaparecem por ano, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Na maioria das vezes, as famílias ficam à mercê de sua própria iniciativa, sem acesso a protocolos oficiais ou a canais ágeis de atendimento. A Baixada Fluminense é uma das regiões mais afetadas, acumulando casos emblemáticos de desaparecimento sem resposta por parte do Estado.
Frente a esse cenário alarmante, a cartilha surge como uma ferramenta fundamental, sobretudo para famílias de periferia, que enfrentam dificuldades para serem ouvidas por instituições públicas. A iniciativa reforça o papel da universidade pública e das organizações da sociedade civil na defesa dos direitos humanos, na construção de memória e no enfrentamento às violações sistemáticas que atingem as populações mais vulneráveis.
Movimentos pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas
Por conta do 30 de agosto, Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, está sendo realizada uma grande mobilização que reúne familiares de desaparecidos e desaparecidas, representantes de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, artistas e apoiadores. O objetivo da iniciativa é dar visibilidade às histórias frequentemente apagadas, cobrar políticas públicas efetivas de prevenção e busca, além de fortalecer redes de solidariedade e apoio às famílias que vivem o luto da ausência e a omissão do Estado. A ação também reafirma que memória é resistência e que cada desaparecido tem nome, história e família que não desiste de lutar por respostas.
Além desta, confira as outras atividades:
- 25/08 (segunda-feira), 10h – Alerj (RJ): Audiência pública com familiares, sociedade civil e parlamentares.
- 28/08 (quinta-feira), 10h – Audiência na Câmara dos Deputados, em Brasília, convocada pelo deputado Reimont, presidente da Comissão de Direitos Humanos.
- 29/08 (sexta), 14h – OAB-RJ – Centro do Rio – Seminário: Direitos Humanos na Gestão Pública – Políticas de Inclusão no Enfrentamento ao Desaparecimento e Tráfico de Pessoas da Secretaria Especial de Integração Metropolitana da Prefeitura do Rio de Janeiro.
- 30/08 (sábado), 9h – Ato inter-religioso na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, reunindo lideranças de diferentes tradições religiosas em homenagem às vítimas.
- 31/08 (domingo), das 9h às 15h – 2ª Caminhada pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, na Praia de Copacabana.
Ampliação do debate público e fortalecimento da comunicação social
A ComCausa tem garantido a cobertura comunicacional de suas atividades por meio do PortalC3 e da RedeDH, além das suas redes institucionais (@comcausa.defesadavida, @portalc3.oficial e @acolher.desaparecidos). A produção reúne matérias jornalísticas, registros fotográficos, conteúdos audiovisuais e boletins colaborativos, que fortalecem campanhas permanentes de mobilização social e preservação da memória das vítimas e de suas famílias.
Além da difusão em seus próprios canais, a instituição também articula com a imprensa através do envio de releases e boletins informativos, oferecendo subsídios para jornalistas e veículos comunitários, regionais e nacionais. Essa aproximação amplia o alcance do debate público sobre os desaparecimentos, garantindo visibilidade ética e engajamento social.
Como parte desse esforço, buscou ampliar sua presença na mídia para qualificar o debate público sobre os desaparecimentos no Brasil. No dia 23 de agosto, participou de entrevista especial na Rádio Maranata FM, convocando a sociedade a engajar-se nas mobilizações. A agenda segue em 27 de agosto, com participação no podcast Café Underground. E, em 3 de setembro, estará com a superintendente Jovita Belfort, da Superintendência de Prevenção e Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas da SEASDH, estará no podcast podcast Alemão Ilimitado, aprofundando o debate e fortalecendo as redes de articulação e denúncia.
Imagem de capa ilustrativa
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