Na madrugada do sábado, 7 de junho de 2025, uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro interrompeu violentamente uma festa junina comunitária no Morro Santo Amaro, na Zona Sul da capital fluminense. A ação resultou na morte de Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 24 anos, e deixou ao menos cinco pessoas feridas, entre elas um adolescente de 16 anos. A tragédia gerou revolta, mobilizações e pressão popular por apuração rigorosa dos fatos.
A comunidade do Santo Amaro organizava, desde o início da noite de sexta-feira (6), um evento cultural tradicional que incluía apresentações de quadrilhas juninas, música, comidas típicas e a presença de famílias inteiras com crianças. O ambiente de confraternização foi interrompido por uma incursão policial do Bope, com troca de tiros dentro da comunidade, o que provocou correria e pânico generalizado. Segundo moradores, os agentes do Bope entraram pelos becos da comunidade sem qualquer aviso prévio e iniciaram disparos. “A gente estava dançando, em roda com as crianças, tudo normal. Do nada, começou o tiroteio. Só dava pra correr”, relatou um dos organizadores da festa.
De acordo com a versão oficial da Polícia Militar, a operação teve caráter emergencial, baseada em denúncias que indicavam uma movimentação de criminosos armados preparando uma investida por disputa territorial. A corporação afirmou que os policiais foram recebidos a tiros em dois momentos distintos: no primeiro, não revidaram; no segundo, houve confronto com os supostos criminosos. Ainda segundo a nota oficial, as equipes estavam equipadas com câmeras corporais, cujas imagens foram entregues à Corregedoria para análise.
Herus Guimarães foi alvejado por dois disparos na região abdominal e chegou a ser socorrido por moradores até o Hospital Glória D’Or, mas não resistiu aos ferimentos. Diante da repercussão nacional e do impacto político, o governador Cláudio Castro exonerou imediatamente os coronéis Aristheu de Góes Lopes (Bope) e André Luiz de Souza Batista (COE – Comando de Operações Especiais), além de determinar o afastamento dos policiais envolvidos na ação até a conclusão das investigações. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) assumiu o caso e, segundo nota oficial, já deu início às diligências.
Enquanto isso, a dor permanece entre os moradores do Santo Amaro, que viram uma noite de alegria se transformar em luto. Para muitos, a morte de Herus é mais um triste capítulo de uma rotina marcada por operações letais em comunidades do Rio de Janeiro, onde o direito à vida e à segurança ainda parece distante da realidade cotidiana.
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