Surgida em 2016 a partir do encontro entre Pedro Casanova e Valentim Danillo, nas imediações do Km 32 da Baixada Fluminense — território marcado pela efervescência cultural e pelas contradições sociais —, a Cidade Nüa nasceu como um grito artístico vindo da periferia para o mundo. Hoje, com a força criativa ampliada pela chegada de Diego Goettenauer e Fernando Junior, o grupo consolida-se como um projeto que transcende a noção tradicional de banda, transformando-se em um verdadeiro laboratório de experiências sonoras e poéticas.
A proposta musical da Cidade Nüa é tão ampla quanto suas referências. Ao mesmo tempo em que reverencia o peso e a estética do rock clássico, se arrisca nas texturas e imprevisibilidades do experimental, sem perder de vista a riqueza melódica e rítmica da música brasileira. O resultado é um som que se constrói como mosaico, combinando riffs densos, atmosferas cinematográficas e letras que funcionam como crônicas musicais.
As composições mergulham nas camadas invisíveis da Baixada: histórias sinistras que ecoam como lendas urbanas, romances intensos que florescem em meio ao concreto e à pressa das ruas, e reflexões existenciais que dialogam tanto com a dureza do cotidiano quanto com a potência dos afetos. As narrativas da banda são permeadas por influências da literatura carioca e da tradição oral, herdando a cadência das histórias contadas nas praças, bares, trens e esquinas.
Mais do que repertório, a Cidade Nüa constrói um manifesto poético. Cada música é uma janela aberta para um lugar onde a cidade se revela despida de maquiagem, exibindo suas cicatrizes, sua beleza bruta e a vitalidade que resiste nas bordas da metrópole. É a música como denúncia e como celebração, um convite para olhar o que é muitas vezes invisível.
A Cidade Nüa é, assim, a voz dos becos e vielas, dos trilhos que cortam territórios, dos muros rabiscados, das madrugadas insones. É a crueza da cidade exposta sem filtros, mas também a ternura que se esconde nas frestas. Um projeto que reafirma que a arte, quando nasce da periferia, carrega não só o peso das ausências e resistências, mas também a força inquebrantável de quem segue criando, amando e vivendo, apesar de tudo.
Formação:
- Pedro Casanova – Voz e guitarra
- Valentim Danillo – Voz e guitarra
- Diego Goettenauer – Baixo
- Fernando Junior – Bateria
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