Capela São Mateus realiza missa inculturada afro inculturada valorizando fé e cultura negra na Baixada

Capela São Mateus

No próximo sábado, 18 de maio, às 18h, a Capela São Mateus, em Nilópolis, sediará a tradicional missa inculturada afro, presidida por Frei Athaylton Jorge Monteiro Belo, o Frei Tatá. A celebração ocorre no contexto da Diocese de Nova Iguaçu, reconhecida por sua forte atuação junto à Pastoral Afro-Brasileira e por sua dedicação à valorização das expressões culturais e espirituais das comunidades negras da Baixada Fluminense.

A missa inculturada afro é uma forma de celebrar a fé católica em sintonia com a identidade e espiritualidade afro-brasileira. Nela, os elementos culturais negros são incorporados à liturgia tradicional da Igreja Católica, sem perder sua essência teológica. Entre os principais símbolos e expressões presentes na celebração estão:

  • Música e instrumentos afro-brasileiros: cantos litúrgicos acompanhados por tambores, atabaques e ritmos ancestrais que conectam os fiéis à espiritualidade africana.
  • Dança e expressão corporal: movimentos simbólicos que representam a alegria, o louvor e a resistência, tornando o corpo um instrumento de oração.
  • Vestimentas e símbolos afro: uso de tecidos africanos, roupas coloridas e elementos que evocam a ancestralidade e o sagrado na tradição negra.
  • Linguagem adaptada: orações e leituras com referências afro-brasileiras, aproximando o rito da realidade e da memória do povo negro.

Essa forma de liturgia busca tornar a fé mais enraizada na vivência do povo afrodescendente, criando um espaço de reconhecimento e cura espiritual, além de resistir ao racismo estrutural que historicamente marginalizou essas expressões dentro da Igreja.

Reconhecimento da Igreja Católica

A inculturação da liturgia é respaldada por importantes documentos do Magistério da Igreja, como a Sacrosanctum Concilium (1963), do Concílio Vaticano II, que defende a adaptação da liturgia às culturas locais, e o Documento de Aparecida (2007), que reconhece os esforços das comunidades afro-americanas na vivência da fé. Outro exemplo emblemático é o rito zairense, aprovado pelo Vaticano e celebrado inclusive pelo Papa Francisco, integrando a cultura africana à liturgia romana.

A Instrução “A Liturgia Romana e a Inculturação” (1994) e o Estudo da CNBB nº 85 – Pastoral Afro-Brasileira oferecem ainda mais diretrizes sobre como celebrar de forma legítima, coerente e respeitosa com a tradição católica e as culturas locais.

A missa inculturada afro tem profundo significado para as comunidades negras: é uma celebração da fé que também afirma a identidade e valoriza a memória ancestral. É espaço de resistência contra o apagamento cultural e religioso, e uma forma concreta de promover a inclusão e a dignidade dentro da Igreja e da sociedade.

Serviço:

Evento: Missa Inculturada Afro com Frei Tatá
Data: 17 de maio de 2025 (sábado)
Horário: 18h
Local: Capela São Mateus, Nilópolis – Diocese de Nova Iguaçu
Apoio: Pastoral Afro-Brasileira, ComCausa

Saiba mais sobre o Frei Tatá

Frei Athaylton Jorge Monteiro Belo, o Frei Tatá, se destaca como símbolo de resistência e fé na Baixada Fluminense. Religioso vinculado à Paróquia São João Batista, em São João de Meriti, ele é referência no ativismo pela igualdade racial e na valorização das tradições afro-brasileiras dentro e fora da Igreja.

Em 2015, a Câmara Municipal de Seropédica concedeu a ele uma Moção de Congratulações e Aplausos pelo trabalho desenvolvido no estado do Rio de Janeiro. Na ocasião, Frei Tatá ressaltou a importância do apoio espiritual e comunitário para manter viva sua missão.

Sua atuação vai além da pastoral. Frei Tatá promove missas inculturadas afro-brasileiras, como as celebradas em Nova Iguaçu com a Pastoral Afro da Diocese, e é coautor do livro Nosso Jeito de Celebrar, lançado em dezembro de 2024, que resgata práticas litúrgicas afrocentradas.

Com forte presença em iniciativas culturais, ele mantém vínculos com instituições como o Museu Marinheiro João Cândido, em Meriti, registrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Em abril de 2025, participou de evento no IFRJ – Campus São João de Meriti, reforçando seu papel como educador e articulador social.

Frei Tatá também atua em parceria com a ComCausa, organização comprometida com os direitos humanos, em ações voltadas à Defesa da vida e à promoção da dignidade nas periferias da Baixada Fluminense. A colaboração inclui atividades de conscientização, eventos culturais e iniciativas comunitárias que unem espiritualidade e cidadania.

Frei Tatá segue como uma das principais vozes na luta por justiça social e na construção de uma fé que reconhece e celebra a ancestralidade afro-brasileira, especialmente nos territórios periféricos do Rio.

Capela São Mateus: Importante ponto histórico

A Capela São Mateus, um dos marcos históricos da Baixada Fluminense, comemora mais um ano de existência. Erguida em 1637 por escravisados e indígenas, a capela não apenas simboliza a fé católica, mas também entrelaça-se profundamente com a história da região.

Situada na Rua Antônio Cardoso Leal, 241, no Centro de Nilópolis, a capela possui um cemitério externo onde repousam os restos mortais de 55 escravisados, vítimas de uma epidemia de cólera no século XIX. Ao longo dos séculos, a Capela São Mateus passou por várias restaurações em 1747, 1914, 1936 e 1989, mantendo intactas suas características originais barrocas jesuíticas.

Em 1999, a Capela São Mateus foi declarada Patrimônio Histórico Municipal, um reconhecimento oficial durante a gestão do prefeito José Carlos Cunha em 2000. Inicialmente encomendada por João Álvares Pereira, a construção utilizou materiais como adobe, uma mistura de barro batido, óleo de baleia e mariscos. As telhas eram moldadas nas coxas dos escravisados .

Ao longo de sua história, a capela serviu a diferentes propósitos, incluindo uma clínica na década de 1930 e um núcleo da Legião da Boa Vontade na década de 1960. Transformada em matriz de São João de Meriti em 1747, o edifício chegou a ficar em ruínas e foi invadido por 48 pessoas antes da última restauração.

A arquitetura barroca da capela apresenta dois salões separados por um arco, onde, durante a escravidão, os senhores ocupavam a área próxima ao altar, enquanto os escravisados ficavam atrás do arco. Infelizmente, ao longo do tempo, peças originais como telhas, a imagem de São Mateus, a pia batismal, o sino, duas cruzes de ferro e o altar-mor desapareceram ou foram destruídas por cupins.

O Mausoléu do Escravo, inaugurado em 13 de maio de 1988 abriga os restos dos escravisados em um espaço adjacente à capela. A área total da construção abrange cerca de 2.500 metros quadrados, dos quais 112 metros pertencem ao edifício da igreja.

A Capela São Mateus fica na Rua Antônio Cardoso Leal, 241 – Centro – Nilópolis –  Mais informções com a ComCausa Rio +55 21 99957-3821 > Baixada 21 96942-1505

Mais notícias

Lançamento do livro “Nosso Jeito de Celebrar”

Dia da Criação da Capela São Mateus

Editoria Virtuo Comunicação

Projeto Comunicando ComCausa

Portal C3 | Instagram C3 Oficial

______________

 

 

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *