ComCausa participa do Café Underground sobre desaparecimentos

Adriano Dias no Podcast Underground - Arquivo ComCausa

A ComCausa Defesa da Vida participou, na noite da última terça-feira (27), de uma edição do Podcast Café Underground, realizada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A roda de conversa integrou a agenda de mobilizações pelo Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimento Forçado, lembrado em 30 de agosto, e reuniu comunicadores populares, ativistas, representantes da sociedade civil e familiares de pessoas desaparecidas.

O jornalista Adriano Dias da ComCausa, foi o convidado principal da edição. Durante a conversa, destacou os desafios enfrentados por famílias e comunidades diante do fenômeno dos desaparecimentos e abordou o papel da comunicação comunitária na mobilização social e na preservação da memória.

Dados preocupantes e múltiplas causas

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, apenas em 2024 o Brasil registrou mais de 80 mil casos de desaparecimento. Na última década, o total ultrapassa 700 mil registros, revelando uma crise nacional que deixa milhares de famílias sem respostas. A média atual é de quatro desaparecimentos por hora no país. No entanto, especialistas alertam que esse número pode ser ainda maior, considerando a subnotificação e a ausência de registros formais em diversas regiões. Durante a entrevista, Adriano Dias destacou que os desaparecimentos no Brasil envolvem múltiplas causas e contextos. Há casos voluntários, muitas vezes motivados por conflitos familiares ou situações de violência doméstica; episódios relacionados a tragédias ambientais, como as enchentes e deslizamentos que atingiram a Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, deixando 191 pessoas desaparecidas; situações envolvendo transtornos mentais, dependência química ou doenças como Alzheimer, que afetam especialmente pessoas idosas; além de ocorrências mais graves, como sequestros, tráfico de pessoas, disputas judiciais de guarda e desaparecimentos vinculados à ação de grupos armados, milícias ou até mesmo de agentes do Estado.

Estrutura deficiente e baixa resolutividade

Entre os desafios estruturais, foram apontadas a falta de integração entre os órgãos públicos, a burocracia institucional, a escassez de recursos humanos e tecnológicos e a baixa taxa de resolução dos casos. Em muitas unidades da federação, as investigações são lentas ou interrompidas por falta de pistas, comprometendo o direito das famílias à verdade e à justiça.

A ausência de dados consolidados também prejudica o planejamento de políticas públicas. Iniciativas como o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), lançado pelo Ministério da Justiça, ainda enfrentam resistência de adesão por parte dos estados — até agosto de 2025, apenas 12 unidades da federação haviam integrado o sistema.

Iniciativas e ferramentas públicas

O debate também destacou o papel do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), administrado pela Polícia Federal. A ferramenta permite cruzar informações entre restos mortais não identificados e amostras de DNA de familiares de desaparecidos. Uma campanha nacional de coleta de DNA foi lançada em agosto de 2025, como parte das ações pelo Dia Internacional.

Além disso, a legislação brasileira garante, desde 2005, que não é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento de qualquer pessoa. O Boletim de Ocorrência deve ser feito imediatamente, sobretudo nas primeiras horas, consideradas cruciais para a investigação.

Protocolo e mobilização da sociedade civil

Durante o programa, Adriano Dias apresentou o Protocolo “72 horas”, desenvolvido pela ComCausa como instrumento de orientação para familiares de pessoas desaparecidas. O material está disponível em comcausa.org.br/desaparecidos e no perfil @acolher.desaparecidos, que também divulga casos e conecta redes de apoio.

A participação no Café Underground também foi momento de articulação para a 2ª Caminhada pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, marcada para o domingo, 31 de agosto, às 10h, no Posto 4 da Praia de Copacabana. A ComCausa apoia o evento com materiais visuais, mobilização em redes sociais e cobertura jornalística por meio do PortalC3 e da RedeDH.

Movimentos pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas

Por conta do 30 de agosto, Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, está sendo realizada uma grande mobilização que reúne familiares de desaparecidos e desaparecidas, representantes de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, artistas e apoiadores. O objetivo da iniciativa é dar visibilidade às histórias frequentemente apagadas, cobrar políticas públicas efetivas de prevenção e busca, além de fortalecer redes de solidariedade e apoio às famílias que vivem o luto da ausência e a omissão do Estado. A ação também reafirma que memória é resistência e que cada desaparecido tem nome, história e família que não desiste de lutar por respostas.

Além desta, confira as outras atividades:

Ampliação do debate público e fortalecimento da comunicação social

A ComCausa tem garantido a cobertura comunicacional de suas atividades por meio do PortalC3 e da RedeDH, além das suas redes institucionais (@comcausa.defesadavida, @portalc3.oficial e @acolher.desaparecidos). A produção reúne matérias jornalísticas, registros fotográficos, conteúdos audiovisuais e boletins colaborativos, que fortalecem campanhas permanentes de mobilização social e preservação da memória das vítimas e de suas famílias.

Além da difusão em seus próprios canais, a instituição também articula com a imprensa através do envio de releases e boletins informativos, oferecendo subsídios para jornalistas e veículos comunitários, regionais e nacionais. Essa aproximação amplia o alcance do debate público sobre os desaparecimentos, garantindo visibilidade ética e engajamento social.

Como parte desse esforço, buscou ampliar sua presença na mídia para qualificar o debate público sobre os desaparecimentos no Brasil. No dia 23 de agosto, participou de entrevista especial na Rádio Maranata FM, convocando a sociedade a engajar-se nas mobilizações. A agenda segue em 27 de agosto, com participação no podcast Café Underground. E, em 3 de setembro, estará com a superintendente Jovita Belfort, da Superintendência de Prevenção e Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas da SEASDH, estará no podcast podcast Alemão Ilimitado, aprofundando o debate e fortalecendo as redes de articulação e denúncia.

Imagem de capa ilustrativa

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