Julgamento de Cíntia Mariano é adiado após defesa abandonar o plenário

Cintia Mariano Dias Cabral acusada de envenenar a enteada Fernanda Carvalho Cabral. Foto reprodução

O júri popular de Cíntia Mariano Dias Cabral — acusada de envenenar a enteada Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, e de tentar matar o irmão dela, Bruno Carvalho Cabral, então com 16 —, que ocorreria nesta terça-feira, 21 de outubro de 2025, no 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, foi adiado.

A sessão foi interrompida após a defesa da ré apresentar um pedido de adiamento — negado pelo juiz — e abandonar o plenário. O Tribunal de Justiça remarcou o julgamento para o dia 4 de março de 2026, mantendo Cíntia presa preventivamente.

Desde 2022, quando o caso se tornou público, a história de Fernanda e Bruno provocou forte comoção. Fernanda morreu após sintomas de envenenamento, e Bruno, que também adoeceu após se alimentar na casa da madrasta, sobreviveu. A investigação concluiu que o veneno utilizado seria o “chumbinho” (carbamato). A acusada responde por homicídio consumado e tentativa de homicídio qualificada.

A mãe das vítimas, Jane Carvalho Cabral, segue mobilizando redes e movimentos sociais sob as hashtags #JustiçaPorFernanda e #JustiçaPorBruno, cobrando celeridade e condenação exemplar. O adiamento do julgamento, porém, trouxe novo abalo à família, que se preparava para um desfecho aguardado há três anos. Jane expressou o sentimento de frustração e impotência que acompanha cada pausa no processo, afirmando que cada adiamento reacende a dor e obriga a reviver, passo a passo, o trauma da perda e da espera pela punição.

A dor prolongada e a revitimização das famílias

O novo adiamento do júri — motivado por manobras processuais e estratégias de defesa — escancara um drama que vai além dos autos: o da revitimização das famílias que lutam por justiça.
Embora o processo siga os ritos do ordenamento jurídico brasileiro, sucessivos adiamentos, recursos e estratégias protelatórias impõem um sofrimento contínuo às famílias das vítimas, que revivem o trauma a cada movimento judicial.

Para mães como Jane, a espera interminável por uma decisão definitiva se torna uma via-crúcis emocional e psicológica, que transforma o luto em uma luta sem fim. A cada adiamento, a promessa de justiça se afasta — e a ferida da impunidade se renova.

Relembre o caso:

Madrasta presa por suspeita de envenenar enteados

Possível ligação com outras mortes

Além das acusações que levaram à sua prisão, a polícia investiga a possível ligação de Cíntia Mariano com outras mortes ocorridas em circunstâncias semelhantes. Relatos apontam que tanto um ex-marido quanto uma ex-vizinha da acusada também morreram de forma repentina, o que levantou suspeitas de que pudessem ter sido vítimas do mesmo tipo de envenenamento que matou a enteada Fernanda. As autoridades buscam agora evidências que confirmem ou descartem essa hipótese.

Cíntia é mãe de dois filhos biológicos de um relacionamento anterior e teve mais duas crianças com o atual companheiro. Dois dias após a morte de Fernanda, em 29 de março de 2022, ela chegou a publicar uma foto nas redes sociais acompanhada da música “Estrelinha”, de Marília Mendonça, cujo trecho dizia: “Quando bater a saudade, olhe aqui pra cima. Sabe lá no céu, aquela estrelinha que eu muitas vezes mostrei pra você? Hoje é minha morada; a minha casinha.” A postagem causou grande indignação entre familiares e amigos da vítima.

Para a mãe dos jovens, Jane Carvalho Cabral, o comportamento da madrasta sempre foi cercado de dissimulação. Ela lembra que Cíntia visitava a filha todos os dias no hospital e chegou a abraçá-la no enterro, aparentando normalidade, enquanto já era apontada como suspeita. “Uma mulher dessas não pode ser chamada de ser humano. É um monstro”, disse Jane em entrevistas e publicações nas redes, ressaltando o sofrimento de reviver cada detalhe da tragédia diante dos atrasos e contradições do processo judicial.

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