Mãe de jovem desaparecido aborda equipe da ComCausa na rua em busca de ajuda para encontrar o filho

Alan Martins dos Santos

Alan Martins dos Santos, de 29 anos, está desaparecido desde 12 de outubro, quando saiu dizendo que iria trabalhar na CEASA. Sem notícias do filho, sua mãe procurou integrantes da ComCausa na rua e foi acolhida no Espaço CAIS Luiz Felipe, no Centro do Rio. O caso passou a ser acompanhado pelo Núcleo ACOLHER ComCausa.

A busca por Alan Martins dos Santos, de 29 anos, desaparecido desde 12 de outubro de 2026, levou sua mãe, Maria das Dores, a procurar ajuda diretamente nas ruas do Rio de Janeiro. Sem informações concretas sobre o paradeiro do filho, ela abordou integrantes da ComCausa – Defesa da Vida, relatou o desaparecimento e pediu apoio para encontrá-lo.

O encontro aconteceu de maneira espontânea, quando a mãe encontrou integrantes da organização em via pública. Após ouvir o relato, a equipe encaminhou Maria para acolhimento no Espaço CAIS Luiz Felipe, localizado na Rua Leandro Martins, nº 72, no Centro do Rio, onde foram reunidas as primeiras informações para o acompanhamento do caso.

O desaparecimento de Alan passou a integrar os atendimentos do ACOLHER – Núcleo ComCausa para Famílias de Vítimas da Violência Letal e de Pessoas Desaparecidas, que atua no acolhimento de familiares, na orientação sobre direitos, na organização de informações e na articulação com os órgãos responsáveis pela busca e localização de pessoas desaparecidas.

Alan saiu dizendo que iria trabalhar na CEASA e não voltou

Segundo Maria das Dores, Alan foi visto pela última vez em 12 de outubro, quando saiu informando que iria trabalhar na Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (CEASA-RJ), onde costumava realizar serviços eventuais, conhecidos como “bicos”. O jovem buscava conseguir dinheiro para pagar o aluguel e custear suas despesas. Entretanto, desde aquela data, a família não conseguiu obter notícias confirmadas sobre seu paradeiro.

Nascido em 7 de agosto de 1997, Alan tinha como última referência residencial conhecida por sua mãe um imóvel no bairro de Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio, anteriormente cedido por ela. Maria, porém, informou não saber exatamente onde o filho estava morando nos dias anteriores ao desaparecimento.

Outro elemento que preocupa a família são os relatos de que Alan poderia ter sido visto na região central do Rio de Janeiro após o dia 12 de outubro. Essas informações, no entanto, ainda não foram confirmadas. Não há identificação precisa dos locais, horários ou pessoas que teriam visto o jovem. A família espera que a divulgação de sua fotografia possa ajudar a identificar pessoas que tiveram contato recente com Alan e contribuir para esclarecer seu paradeiro.

Mãe encontrou na rua uma possibilidade de buscar apoio

O caso chegou à ComCausa de forma diferente de um atendimento previamente agendado. Maria das Dores encontrou integrantes da organização na rua e, diante da ausência de notícias sobre o filho, decidiu abordá-los para pedir ajuda. A partir desse contato, foi acolhida no Espaço CAIS Luiz Felipe, onde pôde apresentar seu relato, fornecer informações pessoais sobre Alan e compartilhar a fotografia que vinha sendo utilizada pela família em cartazes de procura.

O acolhimento permitiu organizar os dados disponíveis e identificar questões que precisam ser aprofundadas, como a confirmação do último contato com Alan, as pessoas com quem ele costumava trabalhar na CEASA, sua residência mais recente e os possíveis avistamentos posteriores. Também foi identificada a necessidade de verificar os registros e encaminhamentos já realizados junto aos órgãos públicos responsáveis pela localização de pessoas desaparecidas.

A ComCausa destaca que o apoio às famílias deve incluir escuta cuidadosa, orientação sobre os procedimentos disponíveis e respeito à privacidade, evitando a circulação de informações sem confirmação.

Núcleo ACOLHER ComCausa acompanha o caso

O atendimento passou a integrar o trabalho do ACOLHER – Núcleo ComCausa para Famílias de Vítimas da Violência Letal e de Pessoas Desaparecidas, vinculado ao CAIS ComCausa – Autonomia e Inclusão. O núcleo tem como referência a trajetória histórica da ComCausa no acolhimento de famílias afetadas pela violência e pelo desaparecimento de pessoas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Sua atuação reúne escuta qualificada, orientação sobre direitos, organização de informações, acompanhamento institucional e articulação com os serviços de segurança pública, assistência social, saúde e acesso à justiça.

No caso de Alan, as informações apresentadas por Maria das Dores foram sistematizadas para orientar o acompanhamento técnico e a avaliação dos encaminhamentos necessários. Entre as providências recomendadas estão a verificação do boletim de ocorrência, a obtenção de informações complementares sobre os últimos deslocamentos do jovem e a articulação com os órgãos responsáveis pela busca. O núcleo também considera importante que as informações sobre possíveis avistamentos sejam comunicadas às autoridades competentes, com o máximo possível de detalhes verificáveis.

Entre os órgãos que podem contribuir para esse processo estão a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A atuação das autoridades é orientada pela Lei Federal nº 13.812/2019, que instituiu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. A legislação estabelece diretrizes para o registro, a busca e a integração de informações sobre desaparecimentos no país.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública também orienta que o desaparecimento seja comunicado imediatamente às autoridades policiais, sem necessidade de aguardar 24 horas.

ACOLHER ComCausa recebeu reconhecimento nacional em 2026

A metodologia do ACOLHER ComCausa recebeu reconhecimento nacional em outubro de 2026, quando o projeto “ACOLHER ComCausa: Justiça, Memória e Cuidado” foi selecionado como um dos vencedores do 8º Desafio de Acesso à Justiça, promovido pelo Instituto Mattos Filho em parceria com a ponteAponte.

A premiação reconheceu uma experiência construída ao longo de mais de duas décadas de atuação da ComCausa junto a famílias afetadas pela violência, especialmente na Baixada Fluminense e em outros territórios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O reconhecimento destacou a importância de metodologias que aproximem as famílias dos mecanismos de garantia de direitos e contribuam para enfrentar as dificuldades de acesso à justiça.

A trajetória e a premiação do núcleo foram apresentadas na reportagem “ACOLHER ComCausa vence 8º Desafio de Acesso à Justiça do Instituto Mattos Filho”, publicada pelo Portal C3 em 7 de outubro de 2026. O acompanhamento de casos como o de Alan integra essa perspectiva, na qual o acolhimento é entendido como ponto de partida para a organização de informações, a orientação e a busca de respostas institucionais.

O prêmio reconhece a metodologia e a trajetória institucional do ACOLHER, não representando um resultado específico das buscas por Alan.

CAIS ComCausa fortalece a estrutura de acolhimento no Centro do Rio

O Espaço CAIS Luiz Felipe integra a estrutura do CAIS ComCausa – Autonomia e Inclusão, desenvolvido em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD). O espaço funciona como referência comunitária para ações de acolhimento, orientação, promoção de direitos e articulação com serviços públicos. A integração do Núcleo ACOLHER à estrutura do CAIS amplia as possibilidades de atendimento a pessoas que procuram espontaneamente a organização, como aconteceu com Maria das Dores.

A Rede Nacional CAIS integra a política pública federal de acesso a direitos e inclusão social, com foco em populações em situação de vulnerabilidade e na articulação entre diferentes serviços de proteção. Embora o CAIS e o projeto premiado ACOLHER possuam suas respectivas referências institucionais, suas atividades se complementam na construção de respostas às situações de vulnerabilidade e violação de direitos.

Família pede ajuda para localizar Alan

A ComCausa e a família solicitam a colaboração da população para obter informações sobre o paradeiro de Alan Martins dos Santos.

Informações sobre o desaparecimento

Nome: Alan Martins dos Santos
Idade: 29 anos
Nascimento: 7 de agosto de 1997
Desaparecido desde: 12 de outubro de 2026
Última atividade informada: saiu dizendo que iria trabalhar na CEASA
Última referência residencial conhecida: Rocha Miranda, Rio de Janeiro
Possíveis avistamentos: Centro do Rio, ainda sem confirmação
Contato: Maria das Dores, mãe de Alan
Telefone/WhatsApp: (21) 97550-9800

A fotografia divulgada pela família mostra Alan sorrindo, usando boné azul e camisa azul, dentro de um veículo.

Quem tiver informações concretas que possam ajudar a localizá-lo deve entrar em contato com a família ou procurar a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

Informações sobre desaparecimentos também podem ser comunicadas pelos telefones 197 e 181. O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, reúne registros policiais e disponibiliza um painel público de pessoas desaparecidas.

A ComCausa reforça que a divulgação responsável da fotografia é importante para ampliar o alcance da busca, mas pede cuidado com boatos e informações sem fundamento.

Desde 12 de outubro, Maria das Dores procura respostas sobre o paradeiro do filho. A abordagem espontânea à equipe da ComCausa, em plena rua, transformou esse pedido de ajuda em uma demanda de acolhimento e acompanhamento institucional.

Encontrar Alan e esclarecer seu paradeiro continuam sendo as prioridades da família.


Sobre o ACOLHER ComCausa

O ACOLHER – Núcleo ComCausa para Famílias de Vítimas da Violência Letal e de Pessoas Desaparecidas integra o CAIS ComCausa – Autonomia e Inclusão e desenvolve ações de acolhimento, orientação, documentação, memória e articulação institucional em defesa dos direitos humanos.

A metodologia “ACOLHER ComCausa: Justiça, Memória e Cuidado” foi reconhecida em 2026 pelo 8º Desafio de Acesso à Justiça, promovido pelo Instituto Mattos Filho em parceria com a ponteAponte.

Foto: Arquivo familiar / divulgação.

Fontes: Relato de Maria das Dores e informações de atendimento fornecidas pela ComCausa; Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro; Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro – PLID; Ministério da Justiça e Segurança Pública; Instituto Mattos Filho.


 

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