Monique Medeiros afirma que Jairinho foi o responsável pela morte de Henry Borel

Jairinho e Monique no banco dos réus — Foto ReproduçãoTV Globo

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e ré no processo que apura a morte do menino de 4 anos, afirmou nesta terça-feira (2), durante seu interrogatório no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, que atualmente acredita que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi o responsável pela morte da criança em março de 2021. A declaração ocorreu no nono dia do julgamento do caso que mobilizou o país.

Durante o depoimento, Monique declarou que, na época da morte do filho, acreditava que a tragédia poderia ter sido resultado de um acidente doméstico. Segundo ela, a ausência aparente de marcas visíveis e os esforços médicos para reanimar a criança reforçaram essa percepção inicial.

No entanto, passados mais de cinco anos do crime, ela afirmou ter mudado de entendimento. “Hoje eu creio que foi o Jairo”, declarou durante o interrogatório, atribuindo a conclusão ao que classificou como padrão de comportamento do ex-companheiro e a relatos de outras acusações de violência envolvendo crianças.

Suspeita de ter sido dopada

Monique também afirmou acreditar que era dopada por Jairinho durante o relacionamento. Segundo seu relato, ele costumava oferecer comprimidos à noite e teria colocado medicamentos em sua taça de vinho para que ela dormisse.

De acordo com a ré, isso teria ocorrido para que o então companheiro pudesse manter contatos extraconjugais sem ser percebido. A acusação foi apresentada durante o depoimento, mas não houve confirmação judicial sobre essa alegação até o momento.

Relatos sobre agressões

Em diversos momentos do interrogatório, Monique chorou ao relatar episódios que, segundo ela, indicariam agressões de Jairinho contra Henry antes da morte do menino.

Ela citou um episódio ocorrido em novembro de 2020, quando o filho teria relatado ter recebido uma “banda” e uma “moca” do padrasto. Também afirmou que percebeu mudanças de comportamento na criança, que teria passado a demonstrar medo, tristeza e sinais de desconforto na presença de Jairinho.

Segundo Monique, ela não imaginava que o filho pudesse estar sofrendo tortura ou agressões graves. A ré afirmou ainda que buscou orientação de médicos, psicólogos e familiares para entender as mudanças no comportamento da criança.

Babá e mensagens apagadas

Outro ponto abordado no depoimento foi a controvérsia envolvendo mensagens que relatavam possíveis agressões a Henry.

Monique negou ter pedido à babá Thayná Ferreira que apagasse conversas relacionadas ao caso e classificou a profissional como “grande mentirosa”. Segundo a ré, ela possui provas de que não fez tal solicitação. Ela também afirmou que a ordem para apagar as mensagens teria partido de outra pessoa ligada à família de Jairinho.

Julgamento entra em fase decisiva

Após os interrogatórios dos réus, o julgamento entra na etapa de debates entre acusação e defesa. O Ministério Público e os assistentes de acusação apresentarão suas teses aos jurados, seguidos pelos advogados de defesa de Jairinho e Monique.

Na sequência, haverá possibilidade de réplica e tréplica. Somadas, as manifestações podem ultrapassar dez horas. Ao final, os sete jurados responderão aos quesitos sobre autoria e materialidade dos crimes, e a juíza Elizabeth Machado Louro anunciará a sentença.

Linha do tempo – Caso Henry Borel

8 de março de 2021 – Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morre no Rio de Janeiro. Laudos apontaram lesões incompatíveis com acidente, incluindo hemorragia interna e laceração hepática.

2021 – O caso gera comoção nacional. Monique Medeiros e Dr. Jairinho passam a responder por homicídio triplamente qualificado e tortura.

2021 – No Rio de Janeiro, é sancionada a Lei Estadual 9.286/21, que dá prioridade à investigação de mortes violentas de crianças e adolescentes.

24 de maio de 2022 – É sancionada a Lei Federal Henry Borel, Lei nº 14.344/2022, criando mecanismos de proteção contra violência doméstica e familiar contra crianças e adolescentes e tornando hediondo o homicídio de menores de 14 anos.

24 de setembro de 2023 – Aplicação da Lei Henry Borel pelo Conselho Tutelar de Niterói em caso de maus-tratos contra criança.

3 de agosto de 2024 – Novo depoimento da babá Thayna de Oliveira, afirmando que a avó materna teria sido informada sobre agressões de Dr. Jairinho.

8 de março de 2025 – Quatro anos após a morte: justiça e a dor da família diante da demora no julgamento.

10 de setembro de 2025 – Justiça aceita testemunhas do Ministério Público e garante o depoimento de Leniel Borel, pai de Henry, no júri.

22 de janeiro de 2026 – Novo laudo pericial em 3D descarta queda acidental e reforça a tese de agressões físicas como causa da morte.

23 de março de 2026 – Começa o julgamento de Monique Medeiros e Dr. Jairinho no II Tribunal do Júri da Capital.

26 de março de 2026 – Leniel Borel recorre contra decisão que concedeu liberdade provisória a Monique Medeiros.

10 de abril de 2026 – Ministério Público do Rio recorre da soltura de Monique Medeiros.

Abril de 2026 – Ministro Gilmar Mendes restabelece a prisão preventiva de Monique Medeiros, recolocando o caso no centro do debate público.

25 de maio de 2026 – Retomada do julgamento do Caso Henry Borel

26 de maio de 2026 – Primeiro dia do julgamento do caso Henry Borel termina sem ouvir testemunhas

27 de mai de 2026 – Julgamento do caso Henry Borel avança com depoimento sobre mensagens da babá

27 de mai de 2026 – Médica afirma em júri que Henry Borel chegou morto ao hospital

27 de mai de 2026 – Psiquiatra aponta perfil manipulador de Jairinho no julgamento do caso Henry Borel

01 de junho de 2026 – Semana de julgamento do caso Henry Borel é marcada por tensão depoimentos longos e mal-estar de Monique Medeiros

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