Nova Iguaçu Rock Festival: da faísca à explosão pelo produtor Isaías Oliveira

Nova Iguaçu Rock Festival Rok ComCausa

No próximo domingo, 5 de outubro de 2025, a Baixada Fluminense se prepara para viver novamente um de seus maiores momentos culturais. O Nova Iguaçu Rock Festival, que parecia improvável há apenas três anos, chega à sua terceira edição com uma estrutura digna dos maiores festivais do Brasil: dois palcos, 11 atrações nacionais e internacionais, seis torres de iluminação, painéis de LED e drones transmitindo o evento.

O que começou quase como uma brincadeira — uma postagem despretensiosa de TBT no Instagram em 2022 — transformou-se, em poucos anos, em um verdadeiro símbolo de resistência e identidade cultural do protencial de produção da Baixada. À frente dessa trajetória está o produtor cultural Isaías Oliveira, que hoje relembra os primeiros passos com um misto de surpresa e orgulho.

“Eu nunca pensei que um simples TBT pudesse se transformar nisso tudo. Era só uma lembrança de um tempo em que eu produzia shows menores, mas aquilo mexeu com as pessoas. Eu percebi que a Baixada tinha saudade, tinha vontade, tinha fome de grandes eventos. E, a partir dali, não tinha mais volta.”

A faísca que virou incêndio

O momento da virada foi inesperado. Isaías relembra como a ideia surgiu: “Postei a lembrança, abri uma caixinha de perguntas e a galera começou a pedir mais. Era 2022, e o NX Zero anunciava sua turnê de retorno. Eu pensei: ‘Se eles vão rodar o Brasil inteiro, por que não passar por Nova Iguaçu?’.”

Foi nesse momento que entraram em cena dois personagens importantes para que a ideia existisse e se tornasse realidade: Leandro Dany e Marcus Pontes, conta Isaías. A partir daí, tudo começou a andar rápido.

“Corremos atrás do agente, fechei, e logo depois conseguimos também CPM 22, Raimundos e Fresno. Foi quando falei para o pessoal: ‘Isso não é mais um show. Isso é um festival!’.”

A desconfiança e a primeira prova de fogo

No começo, poucos acreditaram. “Quando anunciamos, muita gente disse que era mentira. Zoavam: ‘Em Nova Iguaçu não dá, isso nunca vai rolar.’ Mas quando confirmamos o CPM 22, começou a mudar. O público passou a acreditar. E quando o NX Zero entrou na jogada, foi uma avalanche. O Instagram do festival explodiu, foram 10 mil seguidores em poucos dias. Eu percebi que tínhamos algo grande nas mãos.”

A primeira edição, em outubro de 2023, foi histórica. O line-up reuniu NX Zero, Pitty, Raimundos, CPM 22 e Fresno.

“Vendemos sete mil ingressos em um único dia. No escritório do Leandro (Dany), a gente comemorava. No dia do evento, foram mais de 15 mil pessoas. Olhei para o palco, vi aquela multidão cantando junto e pensei: Conseguimos.’

Em 2024: consolidação e expansão

Em novembro de 2024, o festival voltou ainda maior ao Espaço de Eventos da Dutra. Capital Inicial, Detonautas e Fresno comandaram a noite.

“Foi um divisor de águas. Vi gente vindo de Minas, de São Paulo, só para curtir aqui. Isso movimentou a cidade inteira: hotéis, bares, restaurantes, transporte. A Baixada nunca tinha recebido esse fluxo cultural e econômico por causa de um festival de rock. Eu pensei: ‘Isso é história sendo escrita na nossa frente.’

Além disso, no mesmo ano o festival ganhou edições em São Gonçalo. Mas eu sempre disse para o Leandro Dany e Marcus pontes: ‘Expandir é bom, mas a alma está em Nova Iguaçu. É aqui que o festival nasceu e é aqui que ele vai continuar.’

Em 2025: mais uma edição para entrar para a história

O Nova Iguaçu Rock Festival chega, neste ano, ao ponto mais ousado de sua ainda curta, mas intensa trajetória. A edição de 2025 promete ser a mais marcante de todas, com uma estrutura de encher os olhos: seis torres de iluminação, painéis de LED de última geração, dois palcos funcionando em paralelo e drones transmitindo cada detalhe da festa, inclusive as apresentações noturnas.

O palco Rock Legends recebe The Calling, Os Paralamas do Sucesso (celebrando 40 anos de carreira), CPM 22RaimundosDetonautas e Fresno. Já o Palco Rock Stars traz uma viagem nostálgica pela cena dos anos 2000, reunindo StrikeHevo 84DarvinDibob e Debrix.

“Trazer o The Calling é um marco na nossa história”, afirma Isaías, com brilho nos olhos. “É a prova de que a Baixada pode, sim, receber bandas internacionais com estrutura profissional. É um recado para o Brasil: Nova Iguaçu entrou de vez no circuito. Eu quero que as pessoas olhem para cá e digam: ‘Ali acontece um dos maiores festivais de rock do país.’”

Segurança reforçada, vitórias conquistadas

Se nas primeiras edições a pergunta era se a Baixada teria condições de sediar um festival desse porte, em 2025 a questão é outra: como garantir segurança em um evento que cresceu a ponto de rivalizar com os maiores do Brasil. “O público cresceu muito rápido, foi algo impressionante”, relembra Isaías. “No início, a gente tinha medo da dimensão das atrações, do risco de confusão, até porque tudo era muito novo. Nosso desafio era não deixar que a euforia se transformasse em problema. Hoje, com o festival consolidado, a nossa responsabilidade é maior ainda: garantir que cada pessoa entre e saia em paz, com a sensação de ter vivido algo único.”

Para atender a essa expectativa, a organização ampliou o esquema de segurança: revistas minuciosas, monitoramento por câmeras em tempo real, drones sobrevoando o público e equipes treinadas especificamente para grandes eventos. “A música tem que ser vivida com alegria. O público não pode se preocupar com nada além de curtir os shows. Segurança não é detalhe, é prioridade. A gente precisa oferecer um ambiente de confiança”, reforça Isaías.

Esse cuidado é reflexo do amadurecimento do festival. “Cada edição foi uma vitória”, resume o produtor. “O primeiro ano provou que havia público. O segundo mostrou que havia estrutura. Agora, o terceiro é a consagração: temos público, estrutura e reconhecimento. A Baixada entrou, de vez, no mapa cultural do país.”

O público e a cena do rock

Isaías fala com orgulho sobre quem forma a plateia. “O nosso público é especial. A maioria tem entre 30 e 40 anos, gente que cresceu ouvindo CPM, NX Zero, Fresno. Eles se reencontram no festival, levam amigos, filhos, parceiros. É emocionante ver pais apresentando para os filhos as músicas que marcaram a própria adolescência. É uma festa de gerações. Isso é o que dá alma ao festival.”

Ele também destaca a lógica do mercado musical: “O sertanejo e o rap dominam hoje, com cachês altíssimos, muitas vezes inacessíveis. O rock funciona de outra forma. Existe solidariedade. As bandas se apoiam, se indicam, dividem riscos. É uma rede de confiança. Se fosse pela lógica tradicional do mercado, a gente nunca teria conseguido.”

O legado do Nova Iguaçu Rock Festival

Três anos depois do primeiro anúncio, o Nova Iguaçu Rock Festival já não pode ser visto apenas como um evento musical. Ele se transformou em um verdadeiro patrimônio cultural da Baixada Fluminense, carregando consigo a força simbólica de um movimento que nasceu da ousadia e hoje inspira uma região inteira.

“O festival nasceu de uma empolgação, de uma ideia que parecia pequena, mas que cresceu junto com a vontade das pessoas. Hoje, ele é um legado”, reflete Isaías, com a serenidade de quem sabe a dimensão do que construiu. “Daqui a dez anos, eu quero que o festival seja lembrado como símbolo de resistência cultural da nossa região. Não é só música. É autoestima, é pertencimento. É a prova viva de que a periferia pode, sim, produzir eventos de padrão internacional.”

Com a mesma paixão que o moveu desde aquele primeiro TBT, ele se emociona ao lembrar da cena que já se repete a cada edição: “Quando eu vejo gente de São Paulo, de Minas, atravessando estradas para estar aqui, eu penso: conseguimos. A Baixada agora é rota de grandes shows. Isso é histórico.”

E completa, como quem assina o próprio compromisso com o futuro:

“O festival não é só nosso. Ele pertence à cidade, à Baixada inteira, do Rio… É de cada pessoa que acreditou quando diziam que era impossível. Hoje, estar de pé, crescendo, recebendo artistas nacionais e internacionais — isso é a nossa maior vitória. O festival é a nossa cara, a cara de Nova Iguaçu, da gente da Baixada que faz .”

Entrevista por Adriano Dias | Texto Débora Barroso

Nova Iguaçu Rock Festival: quando a capital da Baixada virou capital do rock

Serviço

Data: domingo, 5 de outubro de 2025, a partir das 14h

Local: Espaço de Eventos da Dutra — Nova Iguaçu (RJ)

Ingressos: disponíveis pelo site e app da Ingresse

Foto de capa divulgação

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