Organizações de favelas do Rio de Janeiro se reuniram nesta terça-feira, 10 de fevereiro, no Museu de Favela (MUF), no Complexo Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, para marcar o Dia Estadual de Saúde nas Favelas com um encontro de escuta, troca de experiências e construção coletiva. A atividade integra uma programação coordenada pelo Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, iniciativa ligada à Fiocruz que articula organizações sociais, universidades e coletivos comunitários em diferentes regiões do estado.
A mensagem central do encontro foi direta: políticas de cuidado feitas a partir dos territórios populares produzem saúde não só para quem vive nas favelas, mas para a cidade como um todo. Participantes defenderam que o cuidado já existente nos territórios — coletivo e cotidiano — precisa ser reconhecido, fortalecido e integrado às políticas públicas, em vez de tratado como algo “paralelo” ou apenas emergencial.
Troca de experiências e construção coletiva
O encontro no MUF reuniu organizações dos territórios para compartilhar práticas e apontar prioridades. A proposta, segundo a organização, foi juntar escuta e ação: compreender necessidades locais, valorizar soluções comunitárias e construir encaminhamentos a partir do que já funciona nas favelas. Na avaliação apresentada no evento, o cuidado nas favelas envolve muito mais do que atendimento em unidade de saúde. Ele aparece ligado a redes de apoio, iniciativas comunitárias e respostas rápidas diante de crises — uma “primeira linha” de proteção que sustenta a vida cotidiana em contextos de desigualdade.
O que a agenda cobra do poder público
Entre os pontos defendidos no encontro está a ideia de que não há política universal efetiva sem justiça territorial: planejamento, recursos e decisões precisam considerar as condições reais de cada território. A cobrança principal é por continuidade — presença do Estado que não seja episódica —, com articulação entre saúde e outras áreas que impactam diretamente o bem-estar, como segurança alimentar, renda, educação e proteção social.
Ao colocar as favelas no centro do debate sobre cuidado, as organizações argumentam que fortalecer esses territórios é estratégia de saúde pública. O raciocínio é simples: quando a rede de cuidado funciona onde as vulnerabilidades são mais intensas, a cidade inteira ganha — com prevenção, resposta mais rápida e menos sofrimento evitável.
ComuniSaúde e o impacto nas favelas
O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento.
ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br
Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas.
Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável.
Imagem de capa ilustrativa.
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