Projeto de Ricardo Abrão amplia proteção a animais comunitários e cuidadores voluntários

Ricardão Abrão

O deputado federal Ricardo Abrão (PSDB) apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 447/2026, que estabelece normas nacionais para a proteção de cães e gatos comunitários, reconhece direitos de cuidadores voluntários e endurece medidas contra casos de maus-tratos a animais.

A proposta busca regulamentar uma realidade comum em cidades brasileiras: a presença de animais que vivem em espaços públicos ou coletivos e recebem alimentação, água e cuidados de moradores da própria comunidade, sem possuir um tutor formal. O texto pretende reduzir conflitos envolvendo protetores independentes, moradores, síndicos e administradoras de condomínios, além de oferecer maior segurança jurídica para quem atua voluntariamente na proteção animal.

Entre os principais pontos do projeto está o reconhecimento legal dos chamados animais comunitários. Pela proposta, condomínios, síndicos e administradores não poderão aplicar penalidades ou criar restrições exclusivamente pela presença desses animais ou pela atuação de pessoas que realizem cuidados básicos, como alimentação e assistência.

O projeto estabelece, entretanto, que medidas restritivas poderão ser adotadas quando houver comprovação documentada de riscos à saúde pública, à segurança dos moradores ou de problemas sanitários. A intenção é equilibrar a proteção animal com os direitos coletivos da comunidade.

Segundo Ricardo Abrão, a proposta busca evitar que cidadãos sejam punidos por ações de solidariedade voltadas ao bem-estar animal.

“Nosso objetivo é acabar com situações em que pessoas solidárias são penalizadas simplesmente por ajudar um animal abandonado. Precisamos de regras claras, que promovam a convivência harmoniosa e protejam tanto os animais quanto os cidadãos que dedicam seu tempo a essa causa”, afirmou o parlamentar.

Outro ponto relevante do texto amplia a proteção a pessoas em situação de rua. A proposta garante a permanência de animais de estimação em abrigos, hotéis sociais e centros de acolhimento mantidos com recursos federais, evitando a separação entre tutores e seus animais durante o atendimento social.

Na esfera criminal, o projeto prevê a possibilidade de decretação de prisão preventiva em casos de maus-tratos contra animais, desde que estejam presentes os requisitos legais já previstos na legislação, como risco de reincidência, destruição de provas ou intimidação de testemunhas.

O debate sobre proteção animal tem ganhado espaço no Congresso Nacional nos últimos anos, impulsionado pelo aumento das denúncias de abandono e maus-tratos e pelo fortalecimento de movimentos de proteção animal em todo o país. Atualmente, estados e municípios possuem legislações distintas sobre animais comunitários, o que gera interpretações diferentes e insegurança jurídica para protetores e gestores públicos.

De acordo com Ricardo Abrão, o projeto foi inspirado em experiências já adotadas em legislações locais e busca criar um padrão nacional de proteção.

“O Brasil possui milhares de voluntários que desempenham um papel fundamental no cuidado de cães e gatos abandonados. Esse trabalho merece respeito, proteção e respaldo legal. Ao mesmo tempo, precisamos fortalecer o combate à crueldade animal e garantir instrumentos eficazes para responsabilizar quem pratica esses crimes”, declarou.

O Projeto de Lei nº 447/2026 será analisado pelas comissões temáticas da Câmara dos Deputados antes de seguir para votação no plenário da Casa e, posteriormente, para apreciação do Senado Federal.

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